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Comentários da Lição da Escola Sabatina

Lição 10
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As armas do dragão: II - A besta da terra.

Lição 10 1º a 7 de junho de 2002

Parte Introdutória:

Como comentamos na lição anterior, com a besta que emerge da terra é formado o abominável trio que se oporá a Deus e a Seu povo nos momentos finais da História. Com razão a lição o chama de "falsa trindade", pois o dragão, a besta semelhante ao leopardo e a besta semelhante ao cordeiro formam uma grotesca contrafação da Divindade (veja a nota da lição de segunda-feira, 27 de maio e note os paralelos entre o inimigo e Deus, conforme o Apocalipse denuncia a tentativa infame de Satanás imitá-Lo).

A referência aos "momentos finais da História" é apropriada porque a segunda força, aliada ao dragão, passa a atuar mais decididamente nesse aspecto depois de 1798, o ano que marca o início do tempo do fim. E conforme este se aproxima, a besta semelhante ao leopardo logrará maior supremacia na Terra, mediante o apoio e atuação da besta semelhante ao cordeiro. Esta supremacia será denunciada e desafiada pelo remanescente através especialmente da tríplice mensagem angélica, cuja mensagem será proclamada em todo o mundo sob o poder da chuva serôdia, precisamente quando todo o mundo, maravilhado, estiver seguindo e adorando a besta (Apoc. 13:3, 7 e 8; 14:6-12).

A lição nos concita a estarmos apercebidos dessas revelações importantíssimas do Apocalipse. Elas ajudarão a manter acesa a chama da fé em nosso coração, transmitir-nos-ão coragem, conforto e ânimo face aos estupendos acontecimentos que estão justamente à nossa frente e, o que é mais importante, levar-nos-ão a sacudir para longe a indiferença e o comodismo que tão bem caracterizam a mornidão laodiceana. O estudo das profecias nos dá a certeza, como a lição afirma, de que "Deus não apenas conhece o futuro, mas o controla". A lição nos adverte também quanto ao perigo da especulação. Quando o inimigo não consegue demover alguém do estudo das profecias, ele se esforça por conduzi-lo ao outro extremo. Temos que nos precaver porque o estudo profético é um campo fertilíssimo para o sensacionalismo, a especulação e a fantasia. O que já ouvi de determinados "especialistas em profecias" marcando data para a chuva serôdia, para o decreto dominical, para o fechamento da porta da graça e para a volta de Jesus, e outras idéias mirabolantes, já perdi a conta.

Este é um tempo em que muitas vozes clamam, principalmente na área de interpretação profética, no anseio de se fazerem ouvir (e ouvidos que lhes dêem atenção não faltam). Particularmente, nunca vi tanto questionamento às claras verdades que Deus conferiu a Seu povo, e ao mesmo tempo tantas teorias alardeadas como "novas luzes", algumas tão bem elaboradas e originais que provocam interesse e excitação, e em alguns casos até alvoroço. Mas quase sempre estas teorias não passam de fábulas artificiosamente elaboradas para desencaminhar incautos. Será que já não estamos vivendo em tempo de peneiramento?

Damos graças a Deus por ter Ele outorgado à Igreja, como a lição bem coloca, "luz suficiente para sabermos quais os grandes temas que deverão ser abordados. Ele revelou verdade suficiente para sabermos que decisões devemos tomar".

Ninguém precisa ser iludido!

Domingo, 2 de junho Descrição da besta da terra

O estudo de hoje é sobre as características da besta que emerge da terra. Sete delas, algumas explícitas e outras implícitas, são dadas a seguir, com uma breve alusão ao significado de cada uma, levando-se em conta que, como Igreja, admitimos que esta besta representa os Estados Unidos:

(1) parece com um cordeiro explicação mais pormenorizada deste aspecto é dada no comentário de amanhã. Mas lembro aqui que o cordeiro é o carneiro jovem. Juventude é a característica da nação americana a partir do tempo em que ela começa a emergir, conforme a profecia (ver O Grande Conflito, pág. 439). Veja abaixo sobre o tempo de surgimento;

(2) fala como o dragão indica um contra-senso com o fato de a besta parecer com um cordeiro (Ibidem, pág. 440). Explicação mais pormenorizada também deste aspecto é dada no comentário de amanhã;

(3) emerge da terra como comentamos na lição de 26 de maio, em contraste com o mar, que aponta para uma região densamente povoada, terra "aponta para uma região menos povoada, tal como a América no fim do século XVII";

(4) possuía dois chifres chifres simbolizam poder. Alguns os vêem como representação dos dois partidos políticos nos Estados Unidos: os republicanos e os democratas. É mais adequado considerá-los uma figuração do poder civil e religioso, devidamente distintos e separados um do outro, portanto no exercício da liberdade e da força daí advinda (ver O Grande Conflito, pág. 440);

(5) tempo do seu surgimento por volta do ferimento mortal aplicado à primeira besta, ou seja, 1798. A descrição da segunda besta é dada logo após a declaração "se alguém leva para o cativeiro, para o cativeiro vai" (Apoc 12:10), o que se entende tenha se cumprido no aprisionamento e exílio de Pio VI nesse ano. Os Estados Unidos começaram a ser regidos pela Constituição em 1789, com a aceitação de Declaração de Direitos em 1791;

(6) forma de governo democracia, pois ela pede ao povo que faça alguma coisa (v. 14);

(7) religião não predominantemente católica, porque esta besta exerce, junto ao povo, sua influência em favor da primeira besta, o que não seria necessário se o poder e o povo já fossem católicos.

A lição apresenta outras duas características da besta semelhante ao cordeiro, a segunda das quais julgo muito interessante e original: (1) ela está envolvida na cura da besta do mar (os Estados Unidos desempenharão um papel preponderante para que isto aconteça), e (2) ela foi trazida à existência por Deus. O autor da lição vê aqui um paralelo com o relato da criação, quando Deus fez brotar da terra a vida vegetal e animal (Gên 1:11, 12 e 24). De fato, Deus esteve por trás da formação da nação americana.

Segunda-feira, 3 de junho A união das duas bestas

A partir de quando a besta semelhante ao cordeiro fala como dragão?

Como visto no comentário da lição de domingo, 26 de maio, Daniel 7 se posiciona como pano de fundo de Apocalipse 13. Tanto lá como aqui, símbolos "animalescos" são usados na profecia apocalíptica para representar poderes religiosos e/ou políticos que exercem domínio em oposição a Deus. Eles aparecem como animais monstruosos, ferozes, sanguinários. Os símbolos inspiram terror, e são muito próprios para descrever os poderes representados. Surpreendentemente, todavia, temos agora a figura de um cordeiro, um animal manso e dócil, representativo do próprio Senhor Jesus.

Mas a meiguice e placidez de um cordeiro ficam por conta apenas da aparência desta besta. Na prática, ela se identifica com Satanás. "Na aparência ela é delicada e parece inofensiva, mas na ação é perseguidora e cruel, segundo revelam os versos 12 e 18." (SDABC, vol. 7, pág. 820). Como é cordeiro apenas na aparência, o Apocalipse identifica essa besta apropriadamente como o "falso profeta" (ver 19:20). Os Estados Unidos da América são o poder aqui representado, o maior país protestante do mundo. Se a aparência de cordeiro aponta para a formação evangélica dessa nação, o falar "como o dragão" deve inevitavelmente apontar para um fato: o seu sistema religioso cairá em total apostasia.

Falar, todavia, em protestantismo apostatado requer, no mínimo, uma rápida abordagem histórica que permita observar se há mesmo um processo de eventos que resultará em apostasia. De início, o protestantismo foi, naturalmente, a expressão e o sustentáculo da verdade divina, e nestes termos, convenhamos, a besta semelhante ao cordeiro não falaria como o dragão. Igualmente, um profeta verdadeiro pode, pela apostasia, se tornar um falso profeta, como parece ter sido o caso de Balaão (Núm. 22-25; Apoc. 2:14).

Como é do nosso conhecimento, a Reforma Protestante do século XVI na Europa, embora com algumas conotações políticas, foi, antes de tudo, um movimento de retorno à "Bíblia e à Bíblia só" como norma exclusiva do viver cristão. Este retorno, lamentavelmente, desenvolveu-se, em geral, apenas durante o período de vida dos reformadores. Logo foram estabelecidas diferentes Igrejas com específicos credos definitivamente assentados. A Palavra de Deus, cuja infalibilidade havia sido aceita em lugar da infalibilidade da Igreja dominante, passou a ser utilizada, em última análise, como veículo confirmador de novas estruturas doutrinárias e ratificador de decisões de concílios e assembléias de teólogos protestantes.

Ficava assim bloqueado o progresso no conhecimento da vontade de Deus. "Novas luzes" eram sumariamente rejeitadas por não serem submetidas ao parecer da Inspiração, e sim à forma como os reformadores haviam crido e ensinado. Isso fez com que novos movimentos religiosos fossem surgindo, tão-somente para se acomodarem, a exemplo dos grupos anteriores.

Esse estado de coisas colaborou para a eclosão do racionalismo no meio protestante, precedida de uma tomada de posição honesta para com Bíblia, mas só aparentemente. No fim do século XVIII, alguns teólogos passaram a defender o direito da Bíblia falar por si mesma. O que fora anteriormente estabelecido deveria se revisado e corrigido. Bem, esse era, essencialmente, o espírito da Reforma desde o princípio: liberdade para o exame pessoal das Escrituras.

Mas agora um passo adicional foi dado, o qual culminaria no extremo do liberalismo. No empenho de estabelecer um sistema filosófico ou ético totalmente independente de qualquer posição previamente fixada, ou de alguma autoridade considerada arbitrária, o homem descambou para o racionalismo: tudo deveria ser aceito à luz da razão.

E com isso a Bíblia foi relegada a um plano ainda mais inferior. Se antes os dogmas e credos estabeleciam o posicionamento a ser ratificado pela Bíblia, agora cada cabeça estabeleceria o seu próprio conceito sobre Deus, o pecado, o homem, o mundo, a salvação etc., ao qual a Bíblia seria adaptada. Em conseqüência, teorias que distanciavam o homem de Deus, ou Deus do homem, não se fizeram esperar, entre elas o deísmo de Voltaire, muito difundido nos Estados Unidos no século XIX. O próprio Guilherme Miller era deísta, até se dedicar ao estudo profético e liderar o conhecido reavivamento espiritual que sacudiu a nação americana com a mensagem do breve retorno de Jesus. Simultaneamente, em outras partes do mundo, as profecias foram também estudadas com o mesmo resultado: a sensação de que Jesus estava prestes a voltar.

Deus estava conclamando as Igrejas para que reassumissem uma posição de fidelidade para com Ele, retornando aos princípios da Bíblia e abrindo o coração para novas revelações que seriam dadas. Entendo que tal foi verdade particularmente em relação ao milerismo, através do qual Deus concitou os evangélicos dos Estados Unidos a tomarem uma posição. A primeira mensagem angélica estava sendo pregada com poder e, uma vez aceita, prepararia os corações para as duas seguintes. Ela foi, todavia, rejeitada pelas igrejas daquele tempo, o que as consolidou num processo de apostasia.

Segundo o Espírito de Profecia, a mensagem "caiu, caiu Babilônia" (Apoc. 14:8) foi proclamada primeiramente "no verão de 1844, e teve naquele tempo uma aplicação mais direta às igrejas dos Estados Unidos, onde a advertência do juízo tinha sido mais amplamente proclamada e em geral rejeitada, e onde a decadência das igrejas havia sido mais rápida. A mensagem do segundo anjo, porém, não alcançou o completo cumprimento em 1844. As igrejas experimentaram então uma queda moral, em conseqüência de recusarem a luz da mensagem do advento; mas essa queda não foi completa. Continuando a rejeitar as verdades especiais para este tempo, têm elas caído mais e mais. ... Mas a obra da apostasia não atingiu ainda a culminância... A queda de Babilônia se completará quando... a união da igreja com o mundo se tenha consumado em toda a cristandade" (O Grande Conflito, págs. 389 e 390).

Estamos caminhando para esse ponto. É verdade que o racionalismo como ideologia foi posteriormente descartado, mas tão-somente para dar lugar a outros conceitos, como o existencialismo e o humanismo, que as igrejas têm abraçado. Em 1859 foi publicada a obra mais famosa de Charles R. Darwin, On the Origin of Species by Means of Natural Selection. A partir daí, a teoria do evolucionismo teve rápida propagação e aceitação pelo mundo. O protestantismo em geral adota hoje os conceitos de Darwin, adaptando o relato bíblico da criação aos postulados evolucionistas.

Assim, as Igrejas hoje cumprem uma trajetória descendente de coligação com o mundo. Entendo que quando a besta semelhante ao cordeiro comunicar fôlego à "imagem da [primeira] besta", que ela, a segunda, concitou os "que habitam sobre a terra" a fazer, isto é, quando ela agir de modo semelhante à forma como a primeira besta agiu no tempo de sua supremacia, valendo-se do poder civil para impor determinadas leis de caráter religioso, então ela estará falando como o dragão, pois o resultado de tudo isso será opressão, perseguição e morte.

"... Esta profecia se cumprirá quando aquela nação [os Estados Unidos] impuser a observância do domingo, que Roma alega ser um reconhecimento especial de sua supremacia" (O Grande Conflito, pág. 579).

Terça-feira, 4 de junho O espiritismo e as bestas: milagres

Não é por mero acaso que o espiritismo moderno tenha tido origem na mesma nação que abriga hoje a maior representação protestante do mundo. Não é por acaso, também, que essa mesma nação tenha sido o palco do surgimento do espiritismo "evangélico" no mundo: o neopentecostalismo e o carismatismo. Daí, e do espiritismo declarado, virá a operação "dos grandes sinais" pela segunda besta em favor da primeira.

Quanto ao cumprimento de fazer fogo descer do céu à terra, "diante dos homens" (Apoc. 13:13), as opiniões variam desde o lançamento da bomba atômica sobre Nagasaki e Hiroshima na Segunda Grande Guerra, até um cumprimento literal no futuro, posição que conta com o apoio do Espírito de Profecia: "Operar-se-ão prodígios, os doentes serão curados, e sinais e maravilhas seguirão aos crentes. Satanás também opera com prodígios de mentira, fazendo mesmo descer fogo do céu, à vista dos homens" (Ibidem, pág. 612).

Creio, todavia, que a aplicação feita por Ellen G. White aqui não esgota o sentido da profecia. A lição lembra que esta previsão pode "estar referindo a um falso derramamento do Espírito, que vai resultar em um falso reavivamento de dimensões mundiais". Outra aplicação que a lição faz envolve uma contrafação do retorno glorioso de Jesus. E sabemos que o inimigo, de fato, fará parecer que Cristo veio (Ibidem, pág. 588). Mas a profecia fala mais exatamente da besta semelhante ao cordeiro, e não do dragão, como fazendo cair fogo do céu à terra.

Prefiro adotar a primeira dessas duas aplicações. Sabemos que o fogo é símbolo do Espírito Santo, e uma das façanhas que as Igrejas carismáticas alardeiam é o batismo com o poder do alto. É evidente que o fenômeno, em diversos casos, parece realmente acontecer, só que não poderíamos rotulá-lo de genuíno. Assim, um falso "fogo" do Espírito estaria sendo derramado, falso na pretensão de ser do Espírito Santo; mas não no fato de ser fogo espiritual mesmo! Vale notar também que o neopentecostalismo, que esposa a mesma posição dos carismáticos, teve seu nascedouro na América, e isto por volta de 1842, como contrafação ao verdadeiro dom do Espírito de Profecia que seria logo manifestado na Igreja remanescente. E lembremos que o derramar fogo pela segunda besta é uma contrafação do que Elias fez, pelo poder de Deus, nos tempos de Jezabel e Acabe, justamente para destruir o poder religioso de Baal, cujo culto foi introduzido em Israel por essa rainha pagã fenícia. Agora o diabo, através dos "falsos profetas", contrafaz o ato poderoso de Elias no passado, justamente para restaurar o poder religioso, e também temporal, da moderna Jezabel. Confronte Apocalipse 2:20 como evidência da Jezabel medieval, e 17:3 e 4 como evidência da Jezabel de nossos dias. Em ambos os textos, esta mulher e a besta semelhante ao leopardo são símbolos que se equivalem.

Partilho desta interpretação porque entendo que está numa direção certa. Não há dúvida que o espiritismo colaborará diretamente, e muito, para que finalmente a imagem da besta seja erigida, o que significará a restauração da supremacia papal para ser reconhecida em todo o mundo. Ambos, o neopentecostalismo e o atual movimento carismático, são, na realidade, espiritismo com roupagem evangélica, tudo muito bem estruturado numa estratégica satânica de engano velado. E são os prodígios operados pela segunda besta que levarão o mundo todo a adorar a primeira e aceitar o seu domínio (Apoc. 13:14).

Tomado isto assim, não posso senão discordar do último parágrafo do "Auxiliar e Comentários Adicionais", à página 116 da lição: "Mas até o sinal flamejante da volta do Filho do homem, os fiéis terão que permanecer sem o fogo de Deus..." Tudo bem, se a ênfase aqui é sobre o perigo de fundamentarmos nossa fé na mera realização de milagres. Mas não ficaremos sem a presença do "fogo de Deus" até a volta de Jesus, pois o Espírito Santo estará com os fiéis até o fim, principalmente batizando-os com a chuva serôdia para que esta bendita obra seja concluída com poder. Louvado o Seu nome!

Quarta-feira, 5 de junho A imagem da besta

A lição frisa que a imagem à primeira besta envolve uma questão crucial: adorar a quem? Este é o ponto decisivo no lance final do grande conflito. Sobre isto, a lição lembra que a Terra ficará "dividida em dois campos". Entendemos que são: (1) os que adoram a Deus e (2) os que adoram o dragão, via adoração da besta, via adoração da imagem da besta (vs. 4 e 15).

Daniel 3 se posta agora como natural background, ou plano de fundo, do item "imagem da besta" de Apocalipse 13. Que pontos de ligação existem entre Daniel 3 e esse capítulo? Vários. Primeiramente devemos encarar Daniel 3 como o tipo e Apocalipse 13:14 e 15 como o antítipo. Em outros termos, o quadro de Daniel 3 é ampliado e aplicado ao contexto do fim pelo Apocalipse.

O tema de Daniel 3 é o levantamento e adoração da imagem de Nabucodonosor no campo de Dura e, mais que isso, a fidelidade a Deus dos três amigos de Daniel diante de severa prova de lealdade. As palavras-chave de Daniel 3 indicam pontos de ênfase na narrativa. Podemos considerar uma palavra como sendo chave se ela aparece mais de uma vez no texto. Destas palavras, a mais repetida é o verbo adorar; aparece umas onze vezes (vs. 5, 6, 7, 10, 11, 12, 14, 15, 18 e 28). Outra é decreto, duas vezes (vs. 10 e 29), ou três, considerando que a ordem do verso 4 implica a existência de um decreto. Chave também é a fórmula "povos, nações e homens de todas as línguas", que aparece duas vezes (vs. 4 e 7). Naturalmente, estas palavras sugerem detalhes escatológicos presentes no Apocalipse e referentes aos últimos dias.

Sabemos que a adoração à besta e à sua imagem envolverá "cada tribo, povo, língua e nação" (Apoc. 13:7); ao mesmo tempo, o remanescente estará pregando também "a cada nação, e tribo, e língua e povo" (14:6) sobre o dever de se adorar apenas a Deus. Conforme o fim se aproximar, "decretos" estarão na ordem do dia: haverá o decreto dominical, o decreto proibindo "comprar e vender" (13:17), o decreto de morte (v. 15) e o decreto divino (22:11). Mas é interessante que, em Daniel 3, um decreto de morte para os adoradores do verdadeiro Deus (v. 10) é revertido para ser contra quem blasfemar do verdadeiro Deus (v. 29). Deus fará exatamente isto no último dia. O decreto de morte, destinado ao remanescente, será revertido e atingirá os inimigos desse grupo.

A lição não deixa claro o que é a imagem da besta. O Espírito de Profecia nos oferece uma resposta bem objetiva. A palavra imagem significa "semelhança", e quando o protestantismo buscar recursos escusos para impor obrigações de natureza religiosa, estará copiando o exemplo da besta. Na era medieval, o catolicismo se valeu do braço do poder civil para exigir subordinação a seus ditames. Isso vai se repetir, agora como iniciativa do protestantismo, e o que é pior, em favor de uma instituição que evidencia o poder do papado para mudar até o que Deus estabeleceu. Quando o decreto dominical for estabelecido, terá sido levantada a imagem e recebido o fôlego que a besta semelhante ao cordeiro lhe comunicará. Esta é mais uma grotesca imitação de um ato exclusivo do Criador (Gên. 2:7), e com isso, mais o fato de que aqueles que se negarem adorar a imagem são decretados de morte (Apoc. 12:15), a segunda besta, como diz a lição, "alega ter poder que pertence unicamente a Deus: o poder de dar e tirar a vida". Veja o que diz a inspiração:

"Pela primeira besta é representada a Igreja de Roma, uma organização eclesiástica revestida de poder civil, tendo autoridade para punir todos os dissidentes. A imagem da besta representa outra corporação religiosa revestida de poder semelhante. A formação dessa imagem é trabalho daquela besta, cujo calmo surgimento e suave profissão de fé traduzem um notável símbolo dos Estados Unidos. Aqui pode ser encontrada uma imagem do papado. Quando as igrejas do nosso país, ligando-se em pontos de doutrinas que lhes são comuns, influenciarem o Estado para que imponha seus decretos e lhes apóie as instituições, a América Protestante terá então formado uma imagem da hierarquia romana. Então será a verdadeira igreja assaltada pela perseguição, como o foi o antigo povo de Deus" (História da Redenção, págs. 381e 382).

"A imposição da guarda do domingo por parte das igrejas protestantes é uma obrigatoriedade do culto ao papado à besta. ... No próprio ato de impor um dever religioso por meio do poder secular, formariam as igrejas mesmas uma imagem à besta; daí a obrigatoriedade da guarda do domingo nos Estados Unidos equivaler a impor a adoração à besta e à sua imagem" (O Grande Conflito, págs. 448 e 449).

Quinta-feira, 6 de junho A marca e o número da besta

No que respeita à besta, sua "marca" é um sinal do seu poder. O próprio catolicismo reconhece que a mudança do sábado para o domingo é suficiente evidência da autoridade que ele exerce em assuntos espirituais:

"Pergunta Como podeis provar que a Igreja possui poder para ordenar festas e dias santos?

"Resposta Pelo próprio ato da mudança do dia de descanso para o domingo, a qual todos os protestantes aceitam" (Henry Tuberville, Abridgment of Christian Doctrine, pág. 58).

"Pergunta Tendes qualquer outra maneira de provar que a Igreja tem poder para instituir festas por preceito?

"Resposta Não tivesse ela esse poder, e não poderia haver feito aquilo em que concordam todos os religionistas modernos não poderia haver substituído a observância do sábado do sétimo dia da semana, pela do domingo, o primeiro dia, mudança para a qual não há autoridade escriturística" (Stephen Kiinan, Doctrinal Cathecism, pág. 174).

Rui Barbosa registra que ex-protestantes da Hungria, que entraram para a Companhia de Jesus, só puderam se tornar jesuítas mediante aquiescência a uma "declaração de fé" constante num documento intitulado formulário de condenação húngaro, ou ato de fé dos católicos convertidos ao papismo, datado de 1674, cujos artigos 4 e 11 declaram o seguinte:

"4º Confessamos que todas as novas instituições criadas pelo papa, alheias ou inerentes à Escritura, e tudo quanto ele tem determinado é verdadeiro, divino e santo, devendo o comum dos homens (gemeine Mann) prezá-lo mais que aos mandamentos do Deus vivo.

11º Confessamos que o pontífice romano tem o poder de alterar as Escrituras, acrescentá-las ou diminuí-las, segundo a conveniência dele" (Rui Barbosa, O Papa e o Concílio [Rio: Elos, 3ª edição, s/d], vol. 1, págs. 112 e 113. Ênfase original).

No que respeita a quem a recebe, a "marca" é uma questão de caráter. A lição toca nesse ponto: "Esta marca comparada com o nome da besta identifica os que são leais à besta. Na Bíblia, nomes freqüentemente designam o caráter do indivíduo. Os que recebem a marca demonstram o mesmo espírito de rebelião que é característica da besta, um espírito que se revela na atitude para com a lei de Deus."

Este simples fato nos desautoriza a alardear por aí que uma pessoa tem o sinal da besta meramente por descansar no primeiro dia da semana. Lamento profundamente a atitude de alguns que se dizem adventistas e que anunciam alto e bom som por palavra falada e impressa que o papa é a besta e que os que guardam o domingo têm a marca da besta. Isto apenas suscita antagonismo, e não é por aí que faremos a obra que o Senhor nos designou. Mesmo porque o assunto do selo de Deus e do sinal da besta é para ser apresentado apenas a pessoas que se converteram. "Não deveis pensar que tendes o dever de introduzir argumentos sobre o assunto do sábado ao encontrar-vos com as pessoas. Se elas mencionam o assunto, dizei-lhes que não é esse o vosso encargo presente. Mas ao entregarem a Deus o coração, a mente e a vontade, então estão sinceramente preparados para julgar as provas relacionadas com estas verdades solenes e probantes" (Evangelismo, pág. 228). Ellen G. White nos alerta quanto à necessidade de cuidado e prudência na apresentação destes temas que suscitam controvérsia. Não é virtude alguma provocar o espírito perseguidor dos inimigos da verdade e antecipar a angústia final. "O vigor da perseguição acompanha os passos do dragão. Portanto, grande cuidado deve ser exercido para não produzir provocação alguma" (Ibidem, pág. 236).

Esses adventistas apressadinhos deveriam estudar mais as profecias, porque cometem dois erros fundamentais ao denunciarem o papa como a besta e os guardadores do domingo como possuindo a marca da besta. Para a Igreja Adventista do Sétimo Dia, a besta não é um indivíduo, mas um sistema; e guardar o domingo, no contexto atual, não significa necessariamente ter a marca da besta.

A inspiração afirma: "Unicamente mudando a lei de Deus poderia o papado exaltar-se acima de Deus; quem quer que conscientemente guarde a lei assim modificada estará a prestar suprema honra ao poder pelo qual se efetuou a mudança. Tal ato de obediência às leis papais seria um sinal de vassalagem ao papa em lugar de Deus... Somente depois que esta situação esteja assim plenamente exposta perante o povo [que situação? que o domingo como dia de guarda é uma instituição papal insolentemente instituída em lugar do autêntico dia de santificação, o sábado], e este seja levado a optar ente os mandamentos de Deus e os dos homens, é que, então, aqueles que continuam a transgredir hão de receber o sinal da besta" (O Grande Conflito, págs. 446 e 449. Grifos acrescentados.). "Conscientemente", neste contexto, significa sabendo o que é certo e errado em termos de dia de guarda, e o que verdadeiramente se esconde por trás da instituição do domingo em lugar do sábado.

Não me parece, portanto, que a guarda do domingo representa hoje a recepção da marca da besta. Esta equivalência passará a existir somente quando a ferida mortal estiver plenamente curada e a besta, pelo apoio recebido do falso profeta (através, inclusive, do decreto dominical), estiver exercendo a supremacia nos quatro cantos da Terra. Quando isto ocorrer, o remanescente, dotado do poder da chuva serôdia, estará alertando também os quatro cantos da Terra quanto à obra de engano envolvida em todo o processo. Aí, então, e só aí receberá a marca da besta quem conscientemente optar pelo domingo, recusando a guarda do único dia semanal que evoca a autoridade de Deus como Criador e Salvador da raça humana.

Diz a inspiração: "Ninguém recebeu até agora o sinal da besta. Ainda não chegou o tempo de prova. ... Quando for expedido o decreto que impõe o sábado espúrio, e o alto clamor do terceiro anjo advertir os homens contra a adoração da besta e de sua imagem, será traçada com clareza a linha divisória entre o falso e o verdadeiro. Então os que ainda persistirem na transgressão receberão o sinal da besta" (Evangelismo, págs. 234 e 235).

Nestas circunstâncias, a guarda do primeiro dia da semana será uma questão de caráter, pois evidenciará o espírito de rebelião contra Deus da parte de quem assim fizer. E quando a porta da graça se fechar, a guarda do domingo será uma evidência externa de uma degeneração total interna.

E quanto ao número da besta?

Tradicionalmente interpretamos o 666 de Apocalipse 13:18 fazendo o cálculo, com base em algarismos romanos, do valor numérico do título Vicarius Filii Dei. Não têm faltado nomes cuja somatória de letras resulta 666. Adolfo Hitler e Nero aparecem como os mais citados. Uma alternativa mais recente considera o nome pontifical do atual papa como aquele referido pelo texto, o que inevitavelmente conduz à conclusão de que João Paulo II é a besta semelhante ao leopardo de Apocalipse 13. Como referido acima, esta idéia violenta totalmente o que, como Igreja, cremos e ensinamos.

Particularmente acredito que o número 666 não é uma mera questão de nomenclatura deste ou daquele poder. É muito mais que isso. O número da besta é algo que toca particularmente à minha vida e à vida de cada um dos leitores; é algo que precisamos vencer se queremos estar no mar de vidro (Apoc. 15:2)! Se o papa possui o título vicarius filii dei ou não, ou se o atual dirigente máximo da Igreja Católica tem o nome que tem, ou tem outro, em nada me diz respeito. Se for simplesmente isto, em que sentido devo vencer este número?

Ademais, uma comparação de textos no Apocalipse nos leva à conclusão de que quando é mencionada a marca, ou sinal da besta, não é mencionado o número, e vice-versa. A única exceção seria 13:18, onde justamente o assunto é introduzido: "...senão aquele que tem a marca, o nome da besta ou o número do seu nome." Em lugar de supormos a presença aqui de três itens (marca, nome e número) relacionados com a besta, específicos e distintos uns dos outros, seria mais próprio considerarmos um único elemento mencionado de duas formas definidas: como marca e como número. "O nome" apontaria essencialmente para o que a besta é, ou seja, uma alusão ao seu caráter. Portanto, se a marca é da besta, e o nome aponta para a realidade essencial desse poder, a marca é, de fato, a marca do nome (marca da besta = marca do nome). "Marca do seu nome" é precisamente a fórmula que aparece em 14:11. É a marca do seu caráter, a marca de um poder que ousou mudar a lei de Deus, a marca, portanto, da rebelião.

Já o "número" é regido, no texto, pela conjunção coordenativa ou, que pode ter sentido alternativo ou de equivalência; em vista do exposto acima, o segundo sentido é o mais provável. Em outras palavras, marca e número se equivalem.

Se quisermos saber o que o 666 significa no antítipo, isto é, na Babilônia mística do Apocalipse, deveremos primeiro voltar a atenção ao tipo, isto é, à Babilônia da Mesopotâmia. Isso me parece lógico, pois não é verdade que se queremos aprender sobre o santuário celestial, deveríamos primeiramente estudar o terrestre, partindo assim do conhecido para o desconhecido?

Neste caso, o que esse número representava na antiga Babilônia? Bem, não podemos esquecer que o número da besta é dado no contexto da imagem da besta, que, por sua vez, é o cumprimento antitípico do evento histórico de Daniel 3 (ver o comentário à lição de ontem). Em outras palavras, o incidente ali narrado deve nos orientar também no que respeita ao detalhe do número. Assim, estamos de volta a esse capítulo.

Devemos compreender que a imagem de Nabucodonosor era, na realidade, uma representação gráfica do domínio político e religioso de Babilônia. É por esta razão que todos deveriam se encurvar diante dela e a adorar, gesto que apontaria para um reconhecimento tácito desse duplo domínio. Em outras palavras, a imagem de Nabucodonosor incorpora uma união do poder civil e do poder religioso de Babilônia. E não é exatamente este tipo de união que, no nível do antítipo, visualiza-se na imagem da besta?

Pergunto, portanto, o que na imagem de Nabucodonosor representaria o domínio político de Babilônia? Mais uma vez. o Espírito de Profecia nos oferece a resposta. Ellen G. White declara que o material constituinte da imagem, o ouro, representava Babilônia "como um reino eterno, indestrutível, todo-poderoso, que haveria de quebrar em pedaços todos os outros reinos, permanecendo para sempre." (Profetas e Reis, pág. 504).

E o que, na imagem, apontaria para o domínio religioso de Babilônia? Durante algum tempo estudei Daniel 3 em busca da resposta. Finalmente pude perceber que uma coisa na imagem aponta incontestavelmente para esse tipo de domínio: a medida da imagem.

Para apreciarmos esse fato, não podemos esquecer que os sacerdotes babilônicos eram também astrólogos, astrônomos e matemáticos. Muitas fórmulas matemáticas procedem de Babilônia, bem como padrões de cálculo de peso e medida. O sistema decimal é babilônico, bem como o sistema hexagesimal, com base no número seis. Naturalmente, todos esses ingredientes matemáticos estavam eivados de significado religioso. Para começar, muitos desses cálculos eram estabelecidos com a atenção voltada para os astros em seus movimentos. E os babilônicos os consideravam deuses e os adoravam.

Por exemplo, o Sol e a Lua eram adorados em Babilônia. Bem, isso não é novidade, porque, afinal, todos os povos pagãos os adoravam. O detalhe é que observando os astros, os sacerdotes tiravam conclusões sobre a realidade divina. O pensamento religioso babilônico determinava que a criação era representada por uma linha reta, que tinha princípio e tinha fim. A divindade, por sua vez, era representada por um círculo, que não tinha nem começo e nem fim. Não é por mero acaso que um círculo contenha 360 graus, como a matemática determina, um número não apenas divisível por seis (cálculo hexagesimal), mas o produto de 6 X 60.

Esta é exatamente a medida da imagem levantada por Nabucodonosor: sessenta côvados de alto e seis de largo (v. 1). Os babilônios atribuíam números aos seus deuses, partindo de seis para sessenta. Este era o número do deus supremo, enquanto 6 era o número do deus menor. Na medida da imagem, portanto, como na do círculo, se fazem presentes todos os deuses de Babilônia. Para completar, e este detalhe não está presente em Daniel 3, seiscentos era o número do panteon.

Temos então a unidade 6, a dezena 60, e a centena 600, coincidindo com 666 da Babilônia apocalíptica. "666" aponta em Babilônia para o culto babilônico total.

(5) Uma tábua numerológica (amuleto) era usada pelos sacerdotes babilônicos. Os números de 1 a 36 eram distribuídos em 6 colunas e 6 linhas de forma tal a somarem 111 em cada uma, totalizando 666 (6x111) verticalmente e horizontalmente:

01
32
34
03
35
06
Com efeito, se você somar os algarismos de 1 a 36 (6x6) acumulativamente, isto é, um após o outro, será obtido o total de 666.

30
08
27
28
11
07
Passando do tipo para o antítipo, conclui-se que 666, no Apocalipse,

20
24
15
16
13
23
indica que, no contexto da cura total da ferida de morte e do levantamento da imagem da besta,

19
17
21
22
18
14
o inimigo estará de volta, agora com força total e poder supremo. O abominável trio estará formado e

10
26
12
09
29
25
entrará em operação para conduzir o mundo à culminação do engano, e conspirar, com o emprego de

31
04
02
33
05
36
todos os recursos a seu dispor para aniquilar o remanescente.

Não é por mero acaso que toda esta situação introduzirá em seguida o "tempo de angústia qual nunca houve" (Dan. 12:1). Mas aí, também, Deus será poderoso para salvar Seu povo.

INFORMATIVO DAS MISSÕES:

Sábado, 8 de junho de 2002

Luz na escuridão


Chisaka Kubota

Ministro licenciado preparando-se para o serviço de tempo integral para Deus no Japão.

O que você quer dizer, que é cristã? Perguntei à minha mãe. Nós somos budistas.

Era verdade que minha família se considerava budista, mas o budismo é mais uma cultura do que uma religião. Eu estava zangado com a decisão da minha mãe, mas meu profundo respeito pelos mais idosos me impedia de mostrar qualquer rancor.

Quando nós nos mudamos para Osaka, eu era sozinha e não conhecia ninguém minha mãe explicou. Seu pai estava fora a maior parte do tempo, e você saiu para estudar na América. Decidi estudar inglês para passar o tempo, e encontrei uma escola de Inglês. A escola era administrada por cristãos adventistas que me foram muito amigos. Estudei a religião deles e encontrei paz e felicidade. Então, eu fui batizada. Meu filho ela continuou, por favor, vamos para a igreja comigo e veja por si mesmo que esses cristãos são um povo amigo.

Não acho que meu pai aprovava a religião da minha mãe, mas tolerava. Ela o convidou para alguns programas religiosos especiais, e depois para os cultos regulares da igreja. Logo ele também foi batizado. Isso realmente me deixou muito zangado! Saí de casa.

Um Novo Amor. Enquanto trabalhava em uma empresa farmacêutica, conheci uma garota. Nós tínhamos tanto em comum que depois de alguns encontros, pedi que ela se casasse comigo. Ela hesitou. Então, ela me disse que tinha feito uma cirurgia para substituir uma válvula defeituosa do coração, e tomava remédios para evitar a coagulação do sangue. Por causa disso, ela não podia ter filhos.

Eu sou filho único, e no Japão ter filhos é muito importante. Conversei com meu pai sobre isso, e ele me deu a aprovação para me casar com ela. Casamo-nos e tivemos tudo o que poderíamos querer: bom emprego, uma casa própria. E, melhor ainda, tinha alguém para amar e proteger. Nós éramos muito felizes.

Apesar de minha esposa e eu não sermos cristãos, nós freqüentávamos uma igreja adventista nas quartas-feiras à noite para estudar a Bíblia. Fiquei muito interessado no que a Bíblia tinha para dizer.

Um dia, minha esposa ligou para mim no trabalho e me disse que estava com uma dor de cabeça muito forte. Prometi falar com ela no horário do almoço, mas quando liguei, ela não atendeu ao telefone. Corri para casa e achei-a inconsciente. Levei-a depressa para o hospital, onde os médicos me disseram que ela estava sofrendo de um aneurisma cerebral (dilatação de um vaso sangüíneo no cérebro). O aneurisma da minha esposa havia se rompido, provocando um derrame no cérebro, e isso explicava a dor de cabeça súbita e forte. Pedi ao médico para operá-la e aliviar a pressão no seu cérebro, mas ele me disse que não havia esperança. Ela estava em coma.

Tentei orar, mas não consegui. Meu pastor veio e orou comigo. Mas minha esposa preciosa morreu uma semana mais tarde. Fiquei arrasado.

Tirando esperança do desespero. Minha esposa significava tudo para mim. Ninguém pode saber a dor de uma perda assim, a menos que passe por isso. Agora eu queria ajudar os que estavam sofrendo enfermidades ou a dor da perda. Deixei o emprego e me matriculei em um seminário.

Gostei das lições sobre a Bíblia e senti que era ali que Deus queria que eu estivesse. Mesmo assim, tirei licença dos estudos por algum tempo. Eu precisava estar certo de que não estava estudando Teologia só para esconder a dor de perder a esposa. Quis ter certeza de que esta era realmente a vontade de Deus para mim.

Eu estava estudando a Bíblia com várias pessoas que mostravam algum interesse no cristianismo. Um enfermeiro de um hospital me perguntou por que eu estava deixando os estudos. Contei a ele minha razão, e ele insistiu que eu não deveria sair.

O que você precisa para se convencer a ficar na escola? Ele perguntou.

Gracejando, eu disse:

Se você for batizado, vou saber que Deus quer que eu continue meus estudos.

Fui trabalhar em Tóquio enquanto arrumava a vida. Uma noite, o telefone tocou. Era o enfermeiro com quem eu havia estudado.

Ei! ele me disse. Vou ser batizado! Agora você precisa voltar para a escola.

Lentamente, percebi que Deus queria que eu voltasse para a escola. Voltei aos meus estudos e encontrei paz, alegria e aceitação.

Depois de terminar meus estudos de Teologia, recebi a tarefa de trabalhar na Escola Secundária de Hiroshima no meu primeiro ano de serviço. Muitos dos estudantes vêm de lares não cristãos, e esta pode ser nossa única oportunidade de levá-los para Cristo. Deus me deu uma responsabilidade e um tremendo privilégio de trabalhar com eles e desafiá-los a dar a Deus uma oportunidade em sua vida.

Mas minha principal meta é trabalhar na capelania de um hospital, onde possa servir os doentes, os que sofrem e os que os amam. Já estive lá e acho que posso entender quais são as necessidade dessas pessoas e levá-las a Cristo, o Doador a vida, Doador da esperança.


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TABELA: Por do Sol



Manaus Belém Porto Velho Fortaleza Recife Salvador Rio de Janeiro
17h53 18h10 17h59 17h26 17h04 17h11 17h11

Cuiabá Campo Grande São Paulo Belo Horizonte Curitiba Brasília Porto Alegre
17h16 17h01 17h23 17h20 17h30 17h43 17h28

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