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Comentários da Lição da Escola Sabatina

Lição 1
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Interpretando as profecias apocalípticas.

Parte Introdutória:
O título geral do trimestre, "Grandes Profecias Apocalípticas", e o título da lição 1, "Interpretando as Profecias Apocalípticas", deixam entrever que a Bíblia oferece mais de uma qualidade de profecia. Com efeito, estudio-sos do assunto comumente classificam a profecia bíblica em duas modalidades distintas: clássica e apocalípti-ca. As lições deste trimestre se limitam ao estudo da segunda modalidade.
A maior expressão de profecia apocalíptica do Antigo Testamento é o livro de Daniel. Mas não é a única. Cer-tos trechos de Isaías, Ezequiel e Zacarias são considerados apocalípticos. No Novo Testamento, o Apocalipse se destaca nessa categoria, mas não é o único. O discurso escatológico de Jesus registrado nos Evangelhos de mateus, Marcos e Lucas, é de natureza apocalíptica, bem como o tratamento que Paulo faz do anticristo em II Tessalonicenses 2.
O quadro na página a seguir apresenta dez distinções entre uma categoria e outra.
A profecia apocalíptica é ampla em seu alcance e aplicação; ela abrange o mundo todo, e o curso da História (o que indica que o sistema verdadeiramente correto de interpretação é o historicismo). O escopo da profecia clássica, porém, é sempre restrito, tendo a ver mais com o ambiente geográfico e temporal em que é dada; assim, sua aplicação será sempre local e imediata, ainda que o seu cumprimento tome algum tempo para ocor-rer.
ASPECTOS CLÁSSICA APOCALÍPTICA
Escopo Restrito Universal
Aplicação Local/Imediata Plano Histórico
Transe Profé-tico Próximo Próximo e Distante
Períodos de tempo Literalmente longos Literalmente curtos
Simbologia Normal Normal e Fantástica
Grande Con-flito Episódios Específicos Panorâmico
Atos Salvífi-cos de Deus Situações Específicas Pecado como um Todo
Cumprimento Condicional Incondicional
Dimensão Dupla Singular
Natureza Cristocêntrica por Implicação Explicitamente Cristocêntrica
Exemplo: os setenta anos de cativeiro babilônico que sobrevieram aos judeus, em cumprimento a Jeremias 25:11 e 12. Esta profecia foi proferida no quarto ano de Joaquim, rei deles, ou no primeiro de Nabucodonosor, rei de Babilônia (v. 1), o que corresponde a 604 a.C. Embora a primeira leva de judeus para Babilônia já tivesse ocorrido no ano anterior, segundo Daniel 1:1, a destruição de Jerusalém e a transportação geral do povo se deu em 586.No transe profético da profecia clássica, o profeta não é levado a lugares distantes, como ocorre no caso da profecia apocalíptica. A experiência do profeta Ezequiel ilustra este aspecto. Estando em sua casa na região do rio Quebar, território babilônico, foi transportado em visão até Jerusalém e convidado a penetrar no templo para contemplar as abominações que ali eram cometidas (ver Eze. 8). Embora Ezequiel se encon-trasse a centenas de quilômetros de Jerusalém, a distância não é significativa em vista do escopo universal da profecia apocalíptica. Na verdade, o profeta em visão não se ausentou de seu próprio contexto e ambiente.
No caso da profecia apocalíptica, mesmo que o local em que o profeta se vê em espírito seja relativamente próximo de onde ele corporalmente está, há envolvida uma aplicação transcendental, que o faz sentir-se numa situação distinta.
Na visão do capítulo 7, por exemplo, Daniel vê o Mediterrâneo (v. 2); mas contempla futuras ocorrências que tomam lugar alternadamente na Terra e no Céu (vs. 3-14). Com isso, ele se aproxima da experiência de João na ilha de Patmos, cujas visões, nitidamente apocalípticas, igualmente se alternam entre a Terra e o Céu. Já na visão do capítulo 8, Daniel se vê na província babilônica de Elão (v. 2), mas contempla determinadas coisas que ampliam a dimensão de tempo e espaço (vs. 8-14), e que o transportam até os nossos dias (v. 17).
Os períodos de tempos para uma e outra categoria são enunciados de maneira surpreendentemente parado-xal: na profecia clássica, esses períodos são bem mais extensos que na apocalíptica. Nós esperaríamos o contrário, já que o escopo e aplicação da segunda é bem mais abarcante. O exemplo continua sendo os seten-ta anos do cativeiro babilônico, agora em contraste com as setenta semanas de Daniel 9, que, em termos lite-rais, não chegam a um ano e meio. Todavia, esse período, em conformidade com a amplitude maior da profe-cia apocalíptica, parte dos dias do domínio persa no 5º século a.C. e atinge os dias apostólicos, isto é, quase 500 anos em apenas 70 semanas! Outro exemplo: as 2.300 tardes e manhãs, ou dias, de Daniel 8:14, um perí-odo curto, se tomado literalmente (seriam menos que seis anos e meio), e insuficiente para cobrir o todo da visão dada ao profeta (v. 13). Esta também parte dos dias do domínio persa, representado por um carneiro, o primeiro elemento da visão (vs. 3 e 20), e se estende até uma época relativamente recente (v. 19). São 23 sé-culos em 2.300 dias! Como um pequeno período pode abranger tanto tempo?
O impasse desaparece quando lembramos que o princípio um dia valendo um ano é biblicamente válido na interpretação profética (Ezeq. 4:7). Nesse caso, as setenta semanas, ou 490 dias, seriam na realidade 490 anos, e os 2.300 dias seriam 2.300 anos. Esse princípio igualmente se aplica a outros períodos, entre eles os três tempos e meio, ou três anos e meio, de Daniel 7:25, 12:7 e Apocalipse 12:14, os 1.290 e 1.335 dias de Daniel 12:12 e 13, os 1.260 dias de Apocalipse 11:3 e 12:6, e os 42 meses de Apocalipse 13:5. Os que negam a validade desse princípio ficam sem resposta a esse aparente impasse.
Os símbolos apocalípticos podem às vezes ser extraídos do campo da normalidade, mas adquirem sempre uma ênfase fantástica, condizente com a natureza da maior parte dos símbolos empregados. Estes incluem animais alados, monstros com várias cabeças e chifres, gafanhotos que se assemelham a cavalos e que ferem como escorpiões, cavalos que possuem boca de leão e caudas na forma de serpentes, etc. Toda essa simbo-logia aponta para realidades ligadas ao conflito milenar entre o bem e o mal. No contexto deste conflito, a pro-fecia clássica aborda incidentes específicos, enquanto a apocalíptica enfoca-o num quadro panorâmico univer-sal, condizente com o tratamento de Deus com a problemática do pecado. A profecia clássica mostra Deus ganhando batalhas; a apocalíptica mostra-O ganhando batalhas e, por fim, a guerra.
Outro aspecto importante é que a profecia apocalíptica é incondicional. Seu cumprimento é seguro e certo, visto que ela visualiza o plano da redenção plenamente executado e aplicado, com a implicação de que o pe-cado e suas conseqüências serão extirpados (Apoc. 21 e 22). A profecia clássica, entretanto, é condicional em seu cumprimento. Uma das maiores evidências desse fato é a revogação do decreto de destruição da ímpia Nínive. Dentro de 40 dias, segundo a mensagem do profeta Jonas, a cidade seria subvertida. Ela, porém, foi poupada em razão do arrependimento de seus habitantes (Jonas 3:4-10). Igualmente, o cativeiro babilônico seria evitado se tão-somente os judeus se convertessem (Jer. 7:3-7).
Esse aspecto é perfeitamente condizente com o caráter do Deus imutável, que odeia o pecado, mas ama o pecador. Desejando a sua salvação (Eze. 18:21, 23, 27 e 32), Ele restringe o cumprimento da ameaça proféti-ca: "No momento em que eu falar acerca de uma nação, ou de um reino para o arrancar, derribar e destruir, se a tal nação se converter da maldade contra a qual eu falei, também eu me arrependerei do mal que pensava fazer-lhe" (Jer. 18:7 e 8).
Do mesmo modo, as promessas divinas são também condicionais. Uma profecia pode antever um futuro glori-oso para uma nação, um futuro que jamais chegará, sejam as condições descumpridas: "E, no momento em que Eu falar acerca de uma nação ou de um reino, para o edificar e plantar, se ele fizer o que é mal perante Mim, e não der ouvidos à Minha voz, então Me arrependerei do bem que houvera dito lhe faria." (vs. 9 e 10). Este ponto é decisivo para uma interpretação correta das profecias do Antigo Testamento que anunciaram a restauração final de Israel. Ignorá-lo é arriscar uma interpretação distorcida e fora da realidade, o que acontece com o dispensacionalismo, ou futurismo, como forma de interpretação profética.
A profecia clássica, todavia, possui uma dimensão dupla de cumprimento, isto é, um sentido secundário que ganha um colorido apocalíptico. Esse sentido se cumpre incondicionalmente. É desta forma que toda a palavra que Deus profere alcança inevitavelmente o seu propósito.
Um bom exemplo desse aspecto são as palavras de Jeremias antevendo a condição da Palestina durante o cativeiro babilônico: "Olhei para a Terra, e ei-la sem forma e vazia; para os céus e não tinham luz. Olhei para os montes, e eis que tremiam, e todos os outeiros estremeciam. Olhei, e eis que não havia homem nenhum, e todas as aves dos céus haviam fugido. Olhei ainda, e eis que a terra fértil era um deserto, e todas as suas ci-dades estavam derribadas diante do Senhor, diante do furor da Sua ira. Pois assim diz o Senhor: Toda a Terra será assolada; porém não a consumirei de todo. Por isso, a Terra pranteará, e os céus acima se enegrecerão; porque falei, resolvi, e não me arrependo nem me retrato" (Jer. 4:23-28).
Embora Deus houvesse falado e resolvido que seria assim, é verdade também, como já referido, que os judeus não seriam levados cativos caso se arrependessem. Portanto, as coisas poderiam não ser dessa forma com respeito à terra deles. Mas é impossível ler essa profecia e não ver nela a condição de nosso planeta durante os mil anos que sucedem imediatamente a volta de Jesus (veja Apoc. 20). A Terra estará realmente vazia, pois os salvos terão ido para o Céu com Ele, enquanto os perdidos não terão resistido a Sua manifestação gloriosa. Somente o diabo e seus anjos estarão aqui, sob os grilhões de um planeta em ruínas, fruto da rebelião que implantaram.
Mas o quadro final do planeta não será assim sombrio. Deus afirma que não destruirá totalmente a Terra. Após os mil anos, Jesus e os remidos retornarão juntamente com a Jerusalém celestial (Apoc. 21:2). Será então colocado um ponto final na história do pecado e surgirão os novos Céus e a nova Terra, "onde habita a justiça" (II Ped. 3:13; Apoc. 21 e 22). É para este destino final e glorioso que todas as profecias nos conduzem.
Finalmente, a profecia clássica é cristocêntrica por implicação, já que o todo das Escrituras dá testemunho de Jesus (João 5:39), e Ele é a razão do trato salvífico de Deus com os pecadores em qualquer tempo e lugar. Mas a profecia apocalíptica é explicitamente cristocêntrica (ver comentário à lição de quinta-feira). O conteúdo do Apocalipse, por exemplo, é a própria revelação de Jesus Cristo, tanto subjetivamente (isto é, no sentido de Jesus ser o agente da revelação, Aquele por meio de Quem a revelação se efetiva), como objetivamente (isto é, no sentido de Jesus ser o objeto da revelação, seu assunto fundamental, Aquele sem o qual a revelação não é mais que um palavreado vazio, fútil e inconseqüente).
Domingo, 31 de março: História à Primeira Vista
Conforme o que se observou no comentário da parte introdutória, a natureza e o significado da profecia apoca-líptica requerem uma abordagem historicista em sua interpretação. O historicismo estabelece que as profecias se cumprem no fluxo do tempo, conforme a História transcorre.
Daniel 2, por exemplo, apresenta, em apenas nove versos, a história mundial desde os primórdios do domínio babilônico até a implantação do reino de Deus no futuro (versos 37 a 45). Os demais quadros proféticos deste livro (caps. 7, 8 e 9, e 10-12) apresentam basicamente a mesma seqüência dos eventos que se projetam no cenário mundial até que finalmente Deus estabeleça o Seu domínio.
Mas o historicismo jamais ignora a soberania de Deus, em todo o tempo, nos negócios humanos. Na queda e levantamento de reinos, os propósitos divinos vão sendo cumpridos; a marcha e contramarcha das nações conduzem a humanidade para aquele momento culminante para o qual a História se dirige.
Historiólogos de todas as épocas tentaram encontrar o correto sentido da História (aquilo que é conhecido co-mo filosofia da História), sem, contudo, jamais chegarem a conclusões plausíveis. As opiniões entre eles não somente são divergentes, mas se contradizem e se excluem. Os conceitos de interpretação da História variam entre o otimismo extremo de alguns e o pessimismo radical de outros. Para os primeiros, o homem continuará em seu processo evolutivo até que seja senhor absoluto de suas próprias ações e destino. Para os segundos, a história se processa em ciclos, que terminam irrevogavelmente com a exterminação em massa da humanida-de, restando apenas uns poucos sobreviventes que garantem um novo reinício.
Tudo isso é pura fantasia, criada pelas lucubrações doentias de mentalidades desprovidas do conselho divino. A verdadeira filosofia da História está contida nas páginas sagradas e é o tema subjacente das profecias apo-calípticas. Através delas, observa-se para onde a humanidade caminha, e o que nos trará o futuro próximo. Deus está no controle de cada lance e, por fim, os Seus propósitos de salvação serão plenamente alcançados.
À luz da profecia bíblica, a História não é mais do que o palco da ação divina. Na verdade, o objetivo principal da profecia é muito mais que oferecer uma simples exposição de fatos a ocorrerem. Ela não foi dada para de-frontar o fascínio do homem pelo desconhecido, ou confrontar suas especulações quanto ao futuro. Existe na-turalmente um elemento preditivo na mensagem profética, mas este decorre do significado mais amplo e pro-fundo da profecia, e ocorre em função de seu propósito maior.
A profecia bíblica é, em verdade, uma providência divina em face de uma situação específica: a pecaminosida-de do homem e sua necessidade de salvação. Foi o meio escolhido por Deus para revelar aos pecadores o plano da redenção, e concitá-los a se valerem dele. O que Ele opera no transcurso dos séculos, para que fi-nalmente esta redenção se concretize, é o conteúdo essencial da profecia. É por isso que as palavras do "pro-fessor adventista" referido à página 6 da "edição do professor" expressam uma tremenda impropriedade: "Tal-vez o apocalíptico, com seu sensacionalismo, represente uma fase imatura do cristianismo. Talvez devêsse-mos substituí-lo pelo evangelho do amor, aceitação e perdão." Em outros termos, ele cria uma distinção entre profecia e evangelho. Mas isso não existe.
Estudar profecia é estudar o evangelho e estudar o evangelho é estudar profecia, mesmo porque o evangelho finalmente "foi dado a conhecer por meio das Escrituras proféticas" (Rom. 16:26).
Portanto, a profecia bíblica tem a ver antes de tudo com os atos salvíficos de Deus. "Certamente o Senhor Deus não fará coisa alguma, sem primeiro revelar o Seu segredo aos Seus servos os profetas" (Amós 3:7). Assim, ela ressalta o fato de que os eventos da História, desde o passado mais remoto até o fim, conhecido como a consumação dos séculos, não ocorrem por mero acaso ou mesmo por obra exclusiva da providência humana, mas que Deus está no controle de cada coisa, operando "silenciosamente, pacientemente, os conse-lhos de Sua própria vontade... para o cumprimento de Seu propósito." (E. G. White, Educação, págs. 173 e 178). "De repente agi, e [as profecias] se cumpriram." (Isa 48:3). Conseqüentemente, interpretação profética é fundamentalmente interpretação da História.
Segunda, 1º de abril: O método de interpretação de Jesus
A lição de hoje é clara em mostrar que Jesus foi historicista em Sua interpretação das profecias de Daniel, co-mo transparece no conteúdo de seu discurso escatológico (Mat. 24; Mar. 13; Luc. 21). A lição de quarta-feira indica que Paulo, o grande intérprete das Escrituras na igreja apostólica, foi igualmente historicista. No comen-tário daquele dia, apresentaremos as feições do historicismo, o sistema interpretativo profético adotado pelos adventistas do sétimo dia, conforme o exemplo legado por Jesus. Para hoje, o comentário resume os postula-dos dos outros sistemas existentes.
Naturalmente, um tema tão decisivo, a profecia bíblica, não ficaria sem ser o alvo especial dos ataques de Sa-tanás. Ele sempre tentou levar as profecias ao descrédito. Por volta de 1844, os adversários dos mileritas afir-mavam que as profecias de Daniel e Apocalipse estavam devidamente seladas e que, portanto, ninguém pode-ria interpretá-las corretamente.
Hoje a tática diabólica é outra. Ele inspirou a criação de sistemas paralelos para confundir as mentes e projetar uma sombra no método correto de interpretação.
Um destes sistemas é conhecido como idealismo, segundo o qual os quadros apocalípticos não exibem visões literais de eventos a ocorrerem em qualquer época da História, mas apenas representações pictóricas ou figu-radas dos princípios intemporais envolvidos no conflito entre o bem e o mal, com a certeza do triunfo final do bem. O Apocalipse rechaça o idealismo já em sua abertura, quando se refere às "coisas que em breve devem acontecer" (1:1). O conteúdo profético evoca eventos históricos que ocorrem dentro da perspectiva da consu-mação final e da implantação definitiva do reino de Deus.
Outro sistema é o preterismo, segundo o qual o cumprimento profético ocorreu no passado, no tempo ou nas proximidades do tempo em que a profecia apocalíptica foi dada. Este é o sistema preferido de elementos que adotam o criticismo histórico e textual das Escrituras. Para eles, o material profético refletiria tão-somente as condições históricas do tempo e da região do escritor e de seus destinatários. Não há propriamente uma ante-visão do futuro por parte do profeta. Ele fala de fatos de seus próprios dias, usando uma terminologia profética, ou, na melhor das hipóteses, arriscando alguns prognósticos quanto ao que ocorreria num futuro próximo, com base em sua crença em Deus e na observação da tendência geral do curso de eventos. O resultado é que o caráter sobrenatural da revelação profética é significativamente enfraquecido, senão anulado de todo.
Para o preterista liberal, o livro de Daniel foi escrito no segundo século a.C. O autor, longe de ter recebido a intuição divina de fatos que iriam ocorrer, fez uma narrativa histórica revestida da roupagem profética, prática tecnicamente conhecida como vaticinium ex eventu, a profecia escrita depois do acontecimento, ou proveniente deste. O ponto de destaque seria a presença de Antíoco Epifânio na Palestina por volta de 165 a.C., quando tomou de assalto o templo dos judeus. Procurando encorajar seus compatriotas a resistirem ao domínio de Antíoco, o escritor teria conjeturado na última parte de seu livro (11:40-45) o que viria a ser o fim desse ímpio rei, não atinando, naturalmente, com o que de fato aconteceu.
Quanto ao Apocalipse, os preteristas o interpretam com base no contexto histórico da parte final do I século d.C.., determinado pela situação reinante no Império Romano em relação à Igreja Cristã desde os dias de Ne-ro. Babilônia e as diferentes bestas são representações do Império e de certos elementos que o apoiavam, enquanto a mulher vestida do sol retrata a Igreja perseguida, mas vitoriosa em Cristo. Os juízos divinos repre-sentam as calamidades que o Império já sofrera ou viria a sofrer, decorrentes de uma justa retribuição. Da mesma forma como o cristianismo havia triunfado sobre o judaísmo, triunfaria sobre o paganismo. A exemplo de Jerusalém em 70 a.D., Roma também teria o seu dia de luto.
Também conhecido como dispensacionalismo, o terceiro sistema de interpretação, o futurismo, afirma que as profecias apocalípticas, em grande parte, aguardam pelo futuro para o seu cumprimento. Isso não significa, todavia, que o preterismo e mesmo o historicismo sejam totalmente descartados. O "rei do Norte" de Daniel 11, por exemplo, em seus avanços no tempo do fim, é aceito como tendo um cumprimento inicial e parcial em An-tíoco Epifânio. Mas esse rei é um tipo do anticristo cuja manifestação na Terra ocorrerá pouco tempo antes da volta de Jesus, quando então a profecia encontrará o seu cumprimento mais completo e final. O mesmo é afir-mado quanto ao chifre pequeno de Daniel 8.
Por outro lado, o futurismo admite o cumprimento na passagem dos séculos de determinadas porções proféti-cas, como as divisões metálicas da estátua em Daniel 2, os animais de Daniel 7, e as cartas às sete igrejas do Apocalipse. É geralmente crido que a seqüência de cumprimento dos esquemas proféticos de Daniel é quebra-da no evento do Calvário, para então ser reassumida pouco tempo antes do início do milênio. As 70 semanas do capítulo 9, por exemplo, tem a 70ª desmembrada das 69 anteriores, que terminam na cruz, e deslocada para o futuro, pois aponta para os 7 anos que antecederão a manifestação gloriosa de Jesus, período durante o qual o anticristo exercerá o seu domínio. Pura fantasia.
Observe-se um pouco mais como o verdadeiro sentido das profecias é distorcido pelo futurismo:
É crido que Apocalipse 4 a 19 se aplica ao tempo final da História. A ordem dada a João, "sobe para aqui" (4:1), é interpretada como significando o arrebatamento secreto da Igreja (coisa que a Bíblia jamais advoga), a partir do qual os eventos finais tomarão lugar. Capítulo 20 tem a ver com o milênio, que começa com a destrui-ção do anticristo mediante a manifestação gloriosa de Jesus. Segundo o futurismo, Jesus reinará aqui na Terra durante o milênio, e o fará até que introduza o quadro do estado eterno dos salvos, conforme os capítulos 21 e 22.
Para os futuristas, as doze tribos de Israel de 7:4 são as 12 tribos originais que formaram essa nação, a medi-ção do santuário de Deus de 11:1 se cumpre na futura reconstrução do templo pelos judeus, a cidade santa do verso 2 é Jerusalém na Palestina, as duas testemunhas do verso 3 são Moisés e Elias que retornarão ao mun-do na época do predomínio do anticristo, os 1.260 dias e os 42 meses de 11:3 e 13:5 são períodos literais e correspondem a 3,5 anos (a segunda metade da 70ª semana de Daniel 9) durante os quais o anticristo domina-rá, tendo o templo de Jerusalém como sede de governo.
Vejam-se ainda algumas feições do futurismo:
1. Literalismo. Como se pode ver, há uma forte tendência para a interpretação literal das profecias. O princípio "um dia valendo um ano" é totalmente rejeitado.
2. Personalismo. O anticristo é um indivíduo, não um sistema ou poder, que exercerá o domínio num futuro próximo, levando o mundo à grande tribulação.
3. Premilenismo. O milênio ocorrerá após a manifestação visível e gloriosa de Jesus Cristo. Ele reinará neste mundo durante mil anos.
4. Exclusivismo. Não há material profético que se cumpra no transcurso da dispensação cristã a partir do II século, salvo as cartas às sete igrejas.
5. Pretribulacionismo. A Igreja será arrebatada secretamente antes dos eventos que assinalarão a consumação escatológica.
6. Sionismo extremo. É esperado que os judeus finalmente reconheçam a Jesus como o Messias. Isto efetivará a plena restauração deles como nação eleita, dentre a qual se destacarão 144 mil fiéis. O culto judaico será também restaurado com a reconstrução do templo em Jerusalém. Estará de volta o sistema de sacrifícios do Antigo Testamento, naturalmente adaptado às condições hodiernas.
Os conceitos futuristas carecem plenamente do respaldo da Bíblia, como pode ser estabelecido pelos seguin-tes pontos:
1. O sistema literalístico de interpretação das profecias do Antigo Testamento opõe-se à forma como o Novo Testamento registra o cumprimento delas: em Cristo e através da Igreja. É simplesmente temerária uma abor-dagem estritamente literal das profecias do Antigo Testamento.
2. A idéia de que o anticristo é um indivíduo e não um sistema contraria o princípio de interpretação profética, às vezes endossado pelo próprio futurismo, de que símbolos idênticos àqueles que apontam para o anticristo, representam sistemas e não indivíduos.
3. O premilenismo é correto como conceito de que a volta de Jesus precede o milênio de Apocalipse 20, mas é duvidoso que Cristo reinará neste mundo durante esse período, como pensam os futuristas. O reinado milenar de Cristo é antes celestial que terrestre.
4. É inadmissível a hipótese de que o Apocalipse, em quase a sua totalidade, nada tenha a ver com a Igreja. O contexto geral do livro conspira contra posição tal, que priva o povo de Deus de um material imprescindível para sua orientação e segurança nos difíceis últimos dias. É-nos declarado no fechamento do livro: "Eu, Jesus, enviei o Meu anjo para vos testificar estas coisas às igrejas." (22:16). "Estas coisas" significam o livro todo e não apenas a sua primeira parte, e confirmam as palavras de 1:11, "o que vês, escreve em livro e manda às sete igrejas", como se referindo à revelação completa e não apenas ao material das 7 cartas (caps. 2 e 3). Ao nos providenciar o Apocalipse, Jesus pensa em Sua Igreja, preocupa-Se com ela, e Se interessa pelo seu bem-estar. É a ela que o livro é dirigido.
5. O arrebatamento secreto esbarra no testemunho bíblico de que a Igreja permanecerá no mundo até a volta visível e gloriosa de Jesus. Apocalipse 7:14, só para citar um texto, afirma claramente que os componentes da multidão inumerável de salvos no fim da História passam pela grande tribulação. O pretribulacionismo não tem sentido.
6. É verdade que a salvação permanece à disposição de Israel, a exemplo do que ocorre com qualquer outra nação na Terra, e que Deus tem em vista um plano para os judeus como indivíduos, segundo o exposto por Paulo em Romanos 9-11; mas não há qualquer endosso bíblico para a esperada conversão nacional dos ju-deus. Uma nação espiritual e não étnica, a Igreja, é o novo Israel de Deus. O grupo final de salvos, os 144 mil provenientes de cada tribo de Israel (Apoc. 7:4-8), também deve ser interpretado eclesiologicamente e não etnicamente, à luz de Tiago 1:1, onde o escritor sagrado se dirige à Igreja na forma de 12 tribos, e não ao Israel nacional.
7. Finalmente, admitir que Israel restaurará o seu antigo ritual de sacrifícios como forma válida de culto a Deus, é contrariar frontalmente a mensagem do Novo Testamento, que vê no evento do Calvário o fim moral de todos aqueles sacrifícios. De fato, retornar ao obsoleto sistema expiatório do Antigo Testamento é negar a manifesta-ção final da salvação em Jesus Cristo, tão eloqüentemente expressada na mensagem cristalina do Evangelho.
Esses sistemas, como afirmado, foram inspirados pelo inimigo para lançar dúvida às almas sinceras em sua procura da verdade. O pior de tudo, todavia, é que ingredientes do futurismo estão penetrando insidiosamente nos arraiais do povo de Deus, principalmente através da especulação profética esposada por alguns andarilhos que se apresentam como portadores de "novas luzes". Exemplo: a teoria do 6º rei de Apoc. 17. Muito cuidado com eles!
Terça, 2 de abril: Interpretação de Símbolos
Um dos pontos difíceis no estudo das profecias apocalípticas é sua simbologia. Símbolo é uma "representação visual ou conceptual daquilo que não se vê, e é empregado para comunicar verdades, afirmações e exigências divinas." (Gerhard F. Hasel, Princípios de Investigação da Bíblia, pág. 21). Certamente os símbolos em Daniel e Apocalipse confirmam esta definição. Nesta breve análise ver-se-á o por quê da simbologia apocalíptica, e como proceder adequadamente com este recurso literário se visamos melhor compreensão da mensagem nela inserida. Este comentário limitar-se-á apenas ao livro do Apocalipse, no entendimento de que, se compreen-dermos o por quê dos símbolos ali, compreendê-los-emos em outros materiais proféticos.
Talvez tão difícil quanto interpretá-los, é a tarefa de detectá-los, já que, principalmente no Apocalipse, foram empregados símbolos em meio a literalidades, e literalidades em meio a símbolos. O perigo é simbologizar literalidades e literalizar símbolos, abordando o material profético unilateralmente.
Alguns símbolos e algumas literalidades são óbvios. Ninguém discute se o dragão vermelho de sete cabeças do cap. 12 é um símbolo ou se, no cap. 21, a descida da Nova Jerusalém no fim do milênio é uma literalidade, pois a natureza do quadro é evidente. Alguns símbolos são encarados tão naturalmente, devido à familiaridade com o que significam, que ninguém ao menos se lembra que são símbolos. Exemplo: vestiduras brancas lava-das no sangue do Cordeiro (7:14).
Outra dificuldade é o fato do Apocalipse usar como símbolo, em determinado contexto, um item que, em outro contexto, é uma literalidade. Pelo estudo das sete igrejas, por exemplo, sente-se que o anjo de cada uma sim-boliza sua liderança humana; contudo, ninguém deve imaginar que cada vez que o Apocalipse registra a pala-vra anjo, está se valendo de um símbolo. Em outras palavras, aquilo que é símbolo num determinado trecho, pode ser literalidade noutro trecho, e vice-versa. Deve-se, portanto, evitar a generalização.
Em vista destas dificuldades, por que os símbolos? Não teria sido mais prático que as profecias fossem trans-mitidas apenas com literalidades? Não seria a sua mensagem mais entendível?
Em primeiro lugar, não devemos imaginar que os símbolos estão aí para dificultar a compreensão. Apocalipse significa revelação, e não enigma, mistério, ou algo assim. Além disso, não se pode esquecer que o livro foi escrito com endereçamento certo: as sete igrejas da Ásia (1:11), que englobam a Igreja Cristã em todos os tempos e locais. A maior parte do conteúdo do livro abarca o espaço entre os dois adventos, e, para nós que vivemos no tempo do fim, teria sido maravilhoso que Deus tivesse sido mais explícito e fosse direto ao ponto em cada assunto. Mas, e para os crentes de outras épocas? Como, por exemplo, os cristãos do início do II século d.C., premidos pela perseguição, encarariam o fato de que 1.900 anos transcorreriam sem que Jesus voltasse?
O Dr. Edwin Thiele menciona uma razão positiva quádrupla porque Deus Se valeu de símbolos ao prover o Apocalipse, todas para benefício da Igreja: tornar a mensagem mais efetiva, impressiva, específica, e segura. (Apocalipse Esboço de Estudos, pág. 7). Como fator de segurança, o símbolo é, na realidade, uma espécie de codificação que torna a mensagem praticamente inacessível para os adversários da Igreja. Neste caso, precaução seria o termo que definiria a razão da simbologia aqui. Já imaginamos como os governantes roma-nos, perseguidores por natureza, encarariam os cristãos, se o Apocalipse falasse de Roma o que realmente fala, mas o fizesse abertamente, sem rodeios, sem o emprego dos símbolos?
É dever do estudante, portanto, laborar na decodificação do livro para perceber melhor a sua mensagem; deve também não incorrer no erro de decodificar o que não é símbolo. Para tanto, alguns procedimentos precisam ser cumpridos. Primeiro, examinar o Apocalipse a ver se ele mesmo não dá a interpretação do símbolo. Em alguns casos é isso o que ocorre, como, por exemplo, se depreende de 1:20 A importância desse ponto é fun-damentada no fato de que "o princípio orientador na interpretação de símbolos é deixar que um escritor inspi-rado identifique o símbolo." (Gerhard F. Hasel, Princípios de Investigação da Bíblia, pág. 22).
Segundo, estabelecer a origem do símbolo e o significado deste no seu emprego original. A maioria dos símbo-los do Apocalipse procede do Antigo Testamento. Entender o que eles significam lá pode ajudar a entender o que significam aqui, levando-se em conta, todavia, que o sentido poderá variar, dependendo da diferença de contexto. Uns poucos símbolos são provenientes do ambiente do próprio escritor, e, portanto, esclarecidos pelo contexto histórico.
Pode ocorrer que a simbologia apocalíptica seja construída em cima de figuras ou fatos históricos literais do Antigo Testamento, o que os tornam um tipo de realidades mais amplas e significativas agora referidas e que funcionam como antítipo. Quando isso ocorre, é imperativo que o intérprete respeite o correto relacionamento entre tipo e antítipo para não chegar a conclusões apressadas e equivocadas. Por exemplo, a campanha militar de Ciro que resultou na queda da antiga Babilônia (tipo) não significa necessariamente que também a Babilônia apocalíptica (antítipo) cairá frente a uma campanha militar.
O que se deve fazer para, no estudo do Apocalipse, não se considerar literalmente um símbolo nem simboli-camente uma literalidade? O princípio fundamental estabelece que a declaração bíblica "deve ser interpretada literalmente, a menos que haja clara evidência, pelo contexto, de que estão sendo usados símbolos, ou a me-nos que uma explicação literal não faça sentido." (Leo R. Van Dolson, Revelação e Inspiração Como Deus se Comunica Conosco, Lição da Escola Sabatina, I trimestre de 1999, edição do professor, pág. 123. Ênfase su-prida).
Portanto, interpretação bíblica literal é prioritária, inclusive no Apocalipse. Isto consubstancia o fato de que "a linguagem da Bíblia deve ser explicada de acordo com o seu óbvio sentido". (Ellen G. White, O Grande Confli-to, 599). Se a interpretação literal resulta num absurdo, ela deve ser rejeitada. Por exemplo, afirmar, com base em Apocalipse 19:11, que Jesus voltará à Terra montando um cavalo violenta o consenso geral de que no Céu não há animais, bem como o fato de que cavalos não voam. Portanto, o quadro ali só pode ser simbólico.
Reconhecidamente, um grande número de símbolos apocalípticos não clarificados pelo Espírito de Profecia, principalmente aqueles vinculados a profecias ainda não cumpridas, quase sempre se mostra complicado e de difícil interpretação. Mas isto não significa que não devam ser estudados. Bons desdobramentos da verdade aguardam o pesquisador sincero e perseverante, e, sem dúvida, as lições desse trimestre irão ajudar nesse mister. Os símbolos, por difíceis que sejam, comportam o significado de fatos importantíssimos à fé, porque são empregados por Deus na revelação de Seus propósitos de salvação; caso contrário não estariam no Apo-calipse.
Quarta, 3 de abril: Como Paulo Considerava as Profecias
Na lição de segunda-feira ficou demonstrado que Jesus foi historicista na interpretação profética. Paulo seguiu o Seu exemplo. Em II Tessalonicenses 2, ele expõe seu parecer, infalibilizado pela inspiração, da vinda do anticristo, "o homem do pecado, o filho da perdição", e o apresenta como surgindo num futuro não muito dis-tante, e se projetando na história mundial até o aparecimento de Jesus. Suas considerações foram fundamen-tadas numa exposição das profecias de Daniel a respeito, principalmente os capítulos 7 e 11. A lição do dia conclui com o seguinte pensamento: "Paulo não apóia a idéia que deixa todo o cumprimento profético para alguma data distante no passado (chamado preterismo); nem adota a posição futurista, que adia toda a profe-cia para alguma data distante no futuro." Em outros termos, Paulo foi historicista em sua abordagem. Mas, quais são as feições do historicismo?
O historicismo é sem dúvida o mais histórico da linha histórica de interpretação profética, pois ingredientes dele estão presentes já nas interpretações do Apocalipse feitas por Justino Mártir, Irineu e Hipólito. É também co-nhecido como sistema protestante por ter sido adotado pelos Reformadores ao interpretarem as profecias. É inquestionável que, em matéria de interpretação profética, os adventistas, como Igreja, são os legítimos herdei-ros da Reforma Protestante.
O historicismo, porém, não é o mais histórico da linha histórica de interpretação apenas por ser o mais tradicio-nal. É a forma como a profecia é tratada, antes de tudo, que assim o classifica. Ele estabelece que a profecia prevê determinados eventos que ocorrem no transcurso da História desde o tempo em que o material profético foi veiculado até a consumação final. Em seu amplo escopo, pois, ele abarca o lado correto do preterismo e do futurismo e supre a deficiência básica desses sistemas. Não é justo supor que Deus, no cumprimento de Seu propósito de salvação, atue apenas no longínquo passado (como quer o preterismo), ou apenas no passado e futuro (como esposa o futurismo). A ação divina se verifica no todo da História humana, e é disso que funda-mentalmente tratam as profecias, como já se observou.
Mesmo que os intérpretes historicistas nem sempre se harmonizem em seus pontos de vista, permanece o fato de que os que esposam esse sistema são motivados pela consciência de que Deus está por detrás dos fatos, conduzindo cada coisa para o clímax final. Mais que isso, Ele não nos deixou alheios a essa realidade (Amós 3:7).
É igualmente irrelevante que o intérprete nem sempre possa determinar com exatidão como profecias não cumpridas virão a se cumprir, pois, como já referido, não é objetivo básico da profecia o mero desvendar do futuro. Primeiro que tudo ela visa a incrementação da fé, como Jesus afirmou: "Disse-vos agora, antes que aconteça, para que, quando acontecer, vós creiais" (João 14:29). A fé é fortalecida quando eventos são toma-dos como cumprimentos de profecia. E isso não pode ser relegado tão somente para o futuro, como obviamen-te não pode ter sido um privilégio exclusivo dos cristãos primitivos.
Deve-se lembrar que o intérprete não é um profeta no estrito senso de alguém que pré-vê o futuro, mas um aprendiz. A compreensão e interpretação da profecia se desenvolvem e se aperfeiçoam com a passagem do tempo. Talvez Lutero tinha isso em mente quando declarou: "As profecias só podem ser entendidas perfeita-mente depois de se cumprirem." Certamente o grande reformador não percebeu que nestes termos ele acabou definindo uma das premissas básicas do historicismo: o conceito da verdade se amplia conforme os séculos escoam e eventos, há muito profetizados, alcançam um legítimo cumprimento.
Quinta, 4 de abril: Interpretação Cristocêntrica
Já foi referido que as profecias apocalípticas são explicitamente cristocêntricas. Logo elas requerem uma inter-pretação também cristocêntrica.
O cristocentrismo de Daniel salta aos olhos de quem o estuda. Não somente Cristo se acha presente como figura proeminente em determinados eventos, mas é Ele a razão e o meio através do quais Deus age, segundo consta em Daniel. Por exemplo, se o tema do juízo está presente em todo o livro (e isto o que ocorre), e se "o Pai a ninguém julga, mas ao Filho confiou todo o julgamento" (Jo 5:22), temos que convir que Jesus aparece como expressão principal em cada capítulo de Daniel.
Mas se é verdade também que não apenas o juízo, mas "todas as coisas" foram confiadas às mãos de Cristo (Jo 3:35), então Cristo é a agência principal da ação divina, e o cristocentrismo do livro é plena. Afinal, qualquer ação divina em qualquer tempo da História, decorre do plano da redenção e de seu cumprimento em Cristo e por Cristo. O cativeiro babilônico, que permanece como pano de fundo da mensagem de Daniel e do qual fi-nalmente Deus liberta o Seu povo, se torna assim, um apropriado tipo do cativeiro do pecado, do qual Deus liberta a raça caída, mediante Cristo. Não é, portanto, por mero acaso que Ele é a figura dominante no conteú-do profético do livro.
Ligamos naturalmente a idéia da pedra e do reino divino em Daniel 2 com Cristo. É Ele também, em primeira instância, o Filho do homem em Daniel 7, e o Príncipe dos príncipes, Aquele que purifica o santuário, em Dani-el 8. Em Daniel 10-12 Ele é Miguel, que a princípio socorre o próprio Daniel, e no fim se levantará para libertar seu povo. De particular referência, todavia, é a profecia das 70 semanas que determina o tempo do primeiro advento, e dos acontecimentos básicos ligados a ele. Na verdade, Daniel 8 e 9 formam uma unidade que apre-senta em essência o plano da redenção: a expiação plenamente executada (Dan 9) e plenamente aplicada (Dan 8). A centralidade da cruz nas profecias de Daniel é para ser vista objetivamente ainda, no fato de que as 70 semanas são o centro quiástico da parte hebraica do livro (uma outra parte foi escrita em aramaico), sendo a morte do Messias o centro do centro.
Finalmente, diria que seria justo considerar Daniel um tipo de Cristo, pelo menos em alguns aspectos. Ele vem à Babilônia por razão do pecado de seu povo, e propõe logo de início não se contaminar; assim Cristo veio a esse mundo por amor dos pecadores, e igualmente manteve-se incontaminado. Em Babilônia, mas não de Babilônia, Daniel é principalmente o porta-voz do Deus verdadeiro junto à corte pagã de dois grandes impérios, bem como certamente uma palavra de estímulo e encorajamento aqueles no cativeiro. Mais que isso, atuará como peça-chave junto aos poderes dominantes para que finalmente o retorno dos judeus à Palestina se torne uma realidade. Assim também Cristo veio a esse mundo como porta-voz do Pai, e para atuar em favor da liber-tação final de Seu povo. Há uma certa identidade entre Daniel e sua mensagem, ao ponto em que não é possí-vel distinguir se o anjo, ao declarar-lhe a promessa que encerra o livro (12:13), esteja fazendo referência a este ou ao profeta, ou a ambos, o que é mais provável. De forma muito mais ampla, esse fato é verdade com res-peito a Cristo e Sua mensagem.
O cristocentrismo do Apocalipse é ainda mais evidente. O título Apocalipse de João é, na melhor hipótese, apenas uma indicação de seu escritor: o apóstolo João. É, todavia, inadequado no que concerne à procedên-cia, natureza e propósito de sua mensagem. O termo grego apokálypsis significa revelação. João foi apenas o instrumento designado por Deus para que a revelação pudesse chegar até nós (1:11).
O Apocalipse é de origem divina, como qualquer outra parte da Bíblia, mas apresenta, numa forma singular, o trato de Deus como o pecado. Através de sua mensagem podemos divisar a mão de Deus dirigindo o curso da História rumo ao cumprimento completo e final de Seu propósito salvífico. A revelação de solenes eventos no Céu e na Terra, conforme feita no Apocalipse, retrata o largo escopo da redenção, salientando o triunfo total de Deus no milenar conflito com Satanás. Sua mensagem centralizada na cruz alcança seu grande clímax com a completa extirpação do pecado e o estabelecimento final do reino de Cristo na Terra.
O Apocalipse se intitula "a revelação de Jesus". Cristo é o meio de a Verdade ser revelada ao mundo. Desde o princípio é Ele o mediador entre Aquele "que habita na luz inacessível" (I Tim 6:16) e a inteira criação. O escri-tor do Apocalipse entendeu esse fato e aplicou a Jesus o termo logos, "verbo", "palavra" (João 1:1, 14; I João 1:1; Apoc 19:13) significando que Ele é a expressão, a manifestação do pensamento de Deus. Portanto, o pro-pósito divino, "desde os séculos oculto em Deus" (Efés 3:9), foi manifestado em Jesus e por Jesus, e se tornou uma "revelação de Jesus". Ele é a ponte que cobre a lacuna entre Deus e a Criação. Ele é, sem dúvida, o úni-co caminho a Deus (Jo 14:6). Mas isso não é a verdade completa. Ele é também o único caminho para que o conhecimento de Deus e de Seu propósito nos alcancem (Jo 1:18).
Assim as palavras "revelação de Jesus" são mais que o título do último livro da Bíblia. Elas condensam o con-teúdo e o sentido essencial de sua mensagem, e apontam para Jesus como Aquele que revela e é revelado. Esta realidade do Cristo tanto revelador como revelado emerge quando uma apreciação geral do livro é feita. Três pontos principais devem ser notados:
(1) Antes que coisas sejam reveladas, o profeta desfruta uma percepção da pessoa do Revelador.
(2) Cristo é o personagem central de todas as coisas reveladas. É Ele que se dirige às sete igrejas, que abre cada selo, que vence o dragão para que a Igreja possa triunfar sobre o mal, que derrama a ira divina sobre os ímpios, e leva Seu povo para a glória.
(3). A narrativa profética começa com uma visão gloriosa do Filho do homem (1:9-20), e é desenvolvida rumo ao ponto culminante: a restauração definitiva de tudo o que o pecado pôs a perder. Com a consumação escato-lógica a magnificente revelação final e universal do Filho de Deus ocorrerá. Se a presença contínua de Jesus com a Igreja peregrina é assegurada ao vidente de Patmos na primeira visão e confirmada em toda a narrativa, na visão final, o propósito último do evangelho a plena integração do homem na comunhão divina é definiti-vamente alcançado. A revelação final de Jesus introduz o tempo quando será possível dizer: "Eis o tabernáculo de Deus com os homens, Deus habitará com eles. Eles serão povos de Deus e Deus mesmo estará com eles." (21:3).

INFORMATIVO DAS MISSÕES:

Sábado, 6 de abril de 2002

Em chamas para Deus


Batsukh Bold
Primeiro mongol a ser ordenado pastor

O desejo de praticar inglês levou esse jovem a uma nova vida.

Depois que o pai de Bold morreu, quando tinha 14 anos, a mãe de Bold buscou ajuda espiritual de um monge budista. Um dia, Bold foi com ela ver o monge. Ele ficou impressionado com a paz que cercava esse humilde homem idoso.

Quero ser como esse monge Bold disse à mãe quando estavam voltando para casa.

A mãe de Bold fez arranjos para o monge ensinar ao seu filho sobre o budismo. Ele não entendia as palavras das orações que lhe eram ensinadas, mas cria que eram orações santas que davam poder às pessoas por quem cantavam.

O monge sugeriu que ele entrasse em um dos mosteiros para estudar mais. O monge raspou a cabeça de Bold e o vestiu com um dos hábitos alaranjados de monge. Então, os dois visitaram vários mosteiros, procurando um lugar para Bold. Mas nenhum mosteiro tinha lugar para ele. Bold voltou para casa e começou a fazer amizades com garotos de sua idade, mais uma vez.

O grupo errado. Alguns de seus novos amigos tentaram desanimá-lo de tornar-se monge.

Isto não é vida para você eles diziam.

Pouco a pouco, Bold se afastou da vida religiosa. Uma dia, ele viu um daqueles amigos com um maço de dinheiro.

Onde você conseguiu todo esse dinheiro? Bold perguntou, assustado.

Mas, em seu coração, ele sabia. Os colegas disseram que estavam roubando dos ricos para ajudar os pobres, e eles eram os pobres. Eles o convidaram a unir-se a eles.

Bold hesitou. Isso seria contra sua filosofia de ajudar as pessoas. Mas racionalizou que o dinheiro extra ajudaria sua mãe a sustentar a família. Bold juntou-se a eles e logo estava roubando material de escritório e vendendo no mercado.

Mas aquilo não o satisfazia, e ele deixou de andar com esses amigos. Então, um dia, enquanto estava no trabalho, um oficial da polícia entrou e disse a Bold para segui-lo. Bold deixou cair a vassoura e seguiu o oficial de polícia para a delegacia, onde viu um de seus ex-amigos.

O oficial de polícia levou Bold para outra sala e começou a interrogá-lo sobre algumas mercadorias roubadas. Bold pensava que seu ex-amigo havia contado tudo ao oficial de polícia, e então confessou que se havia associado com os garotos, mas explicou que havia deixado a quadrilha havia vários meses, e estava trabalhando e freqüentando a escola naquele tempo. Finalmente, o oficial de polícia liberou o assustado garoto. Bold aprendeu a lição. Ele decidiu afastar-se de dificuldades.

Novos amigos, nova vida. Depois do ensino médio, Bold matriculou-se em um curso intensivo de inglês. Ele logo percebeu que precisava de ajuda para continuar. Então, quando a irmã o apresentou a alguns amigos que falavam inglês, Bold ficou interessado. Os amigos da irmã dele eram cristãos, e ele não queria nada com a religião deles, mas esperava que esses cristãos o ajudassem a treinar inglês.

A irmã de Bold o convidou a freqüentar algumas reuniões religiosas, e ele concordou porque desejava exercitar seu inglês. Mas gostou tanto das reuniões que esqueceu o inglês. Logo a amizade cristã o conquistou, e mesmo quando sua irmã deixou de freqüentar as reuniões, Bold continuou. Logo ele sentiu em seu coração um desejo crescente de ensinar aos outros sobre o amor de Deus, a quem estava conhecendo havia tão pouco tempo. Alguns meses mais tarde, Bold foi batizado.

Um dia, Bold descobriu que a cidade de Darhan não tinha adventistas. Imediatamente, ele sentiu que Deus o estava chamando para fundar uma igreja em Darhan. Em 1999, ele e sua esposa chegaram a Darhan. Eles não conheciam ninguém. Bold passou a ensinar inglês na universidade, e logo estava convidando seus alunos para estudar a Bíblia em seu apartamento. Em menos de dois anos, o grupo cresceu para 40 membros. Hoje cerca de 50 pessoas são membros batizados da igreja de Darhan.

Desafios missionários. Bold e sua esposa estão entusiasmados com os desafios sem igual do trabalho pioneiro na Mongólia.

Tudo é novo na igreja na Mongólia Bold explicou. Quase ninguém que vem para a igreja sabe qualquer coisa da Bíblia. Precisamos ensinar-lhes tudo: como cantar, como estudar, como orar, como dirigir um grupo em casa. Até mesmo os líderes da igreja são adventistas só há alguns anos. Mas isto também pode ser uma bênção. Estou aprendendo tanto! Viver perto de Deus é a maior bênção!

Quando eu estava em Ulan Bator, a capital, eu tinha o apoio dos membros e dos missionários. Eu podia conversar com eles e obter conselho sobre o que fazer. Em Darhan eu estou só; minha esposa e eu não temos ninguém de quem obter conselho, a não ser Deus.

A igreja na Mongólia está crescendo rapidamente. Quando me tornei adventista, os únicos cristãos adventistas que havia era na capital. Agora temos grupos de crentes em várias vilas, cidades e até em aldeias, em todo o país. Isto é maravilhoso. Queremos manter o fogo da fé em crescimento.


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TABELA: POR DO SOL


Manaus Belém Porto Velho Fortaleza Recife Salvador Rio de Janeiro
18h01 18h16 18h14 17h35 17h19 17h31 17h46

Cuiabá Campo Grande São Paulo Belo Horizonte Curitiba Brasília Porto Alegre
17h40 17h32 17h59 17h50 18h08 18h07 18h14

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