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Comentários da Lição da Escola Sabatina

Lição 7
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Mateus 24 - Jesus e as profecias apocalípticas

Dr. Amin Rodor

Doutor em Teologia
Professor do Salt-IAE
Pastor da Igreja do Unasp Campus 2


Nota do Editor: Nesta semana, excepcionalmente, o comentário foi preparado pelo Dr. Amin Rodor, por tratar-se de assunto de sua especialidade. Na próxima semana, o Dr. José Carlos Ramos continuará a nos brindar com seus comentários. Ambos são especialistas em suas áreas e grandes escritores. Nosso comentário só tem a ganhar com a participação deles. Lícius O. Lindquist.

INTRODUÇAO À LIÇÃO

A lição 7, tratando com o Sermão Profético de Mateus 24, encontra-se precisamente no centro dos estudos da Escola Sabatina deste trimestre. A localização é estratégica, porque a lição desta semana funciona como um elemento de transição entre o livro de Daniel, estudado nas lições anteriores, e as próximas que focalizam livro do Apocalipse. Estudantes e intérpretes da Bíblia em geral, reconhecem que toda a escatologia do Novo Testamento está baseada no livro de Daniel. Isto é particularmente verdade com relação ao Discurso do Monte das Oliveiras (Mat. 24), e o livro do Apocalipse, que grande medida dependem do material profético do livro de Daniel.

Embora o relacionamento lingüístico entre Daniel e Mateus 24, seja evidente, é a relação temática que realmente nos interessa. Estas seções das Escrituras, tratam especificamente com a escatologia (capítulo da teologia que estuda as coisas pertinentes ao fim). Repetidas vezes o livro de Daniel afirma que ele foi particularmente escrito para "o tempo do fim" (veja Daniel 12:4 e 9). A harmonia temática entre Daniel e o sermão escatológico de Mateus 24, é muito mais que algo casual. W. C. Allen observa: "Pelo menos em seus aspectos centrais, Jesus aceita a visão do futuro do mundo oferecida por Daniel. Solenemente Ele adota a principal parte do ato final do drama cósmico visto pelo livro de Daniel. O Reino do Céu, o qual Ele tinha anunciado em Seu primeiro chamado ao arrependimento, é o império eterno, que de acordo com Daniel seguirá os impérios terrenos" (The Gospel According to Saint Mark, New York, The Macmillan Conmpany, 1915, pág. 161). A convergência de temas entre estas seções das Escrituras, é vista nas próprias expressões e conceitos, utilizados por Jesus: "O reino de Deus", "O Filho do homem", "A vinda do Filho do homem em glória, com os Seus anjos", "A ressurreição", "O Filho do homem vindo com as nuvens do céu", "A grande tribulação", "A desolação da abominação", "O tempo de aflição, como jamais visto", etc.

Em Mateus, encontramos dois grandes discursos de Jesus, em dois montes: O Sermão da Montanha (Mat. 57), e o sermão escatológico, no Monte das Oliveiras (Mat. 24). No primeiro, Jesus expõe a ética do reino que Ele inaugura os princípios pelos quais os Seus discípulos devem viver, como cidadãos deste reino. No segundo, o Senhor discute, não mais a ética, mas o estabelecimento do reino, como culminância final do plano divino. O reino que afinal será entregue aos santos do Altíssimo, como predito em Daniel (Dan. 2:44; 7:18)

PARA CONSIDERAÇÃO: A cultura moderna, quer refletida na arte, literatura, música, política, filosofias, atividades sociais e economia, afirma a mesma mensagem: "o homem está enfermo". Devemos notar que cada sistema de pensamento está baseado numa convicção específica concernente à natureza do homem: sua origem e, conseqüentemente, propósito e destino. Assim, a correção de determinado sistema, depende da correção das suas pressuposições. Obviamente, o reincidente fracasso de todas as ideologias humanas, quer antigas ou modernas, sugere, além da dúvida razoável, que estão erradas as pressuposições nas quais estes sistemas estão fundamentados. Blaise Pascal está correto ao afirmar: "Sem o conhecimento de Jesus Cristo, não podemos saber o que seja a vida, ou a morte, Deus ou nós mesmos." (Pensees, cap. xx).

Depois do fracasso do iluminismo, com sua visão cor-de-rosa do homem, do futuro e do fracasso do otimismo filosófico e sociológico, do modernismo científico, vivemos no mundo pós-moderno, marcado pelo desencanto sistemático do homem. As "profecias" humanas e suas utopias não se realizaram, e como resultado, convivemos com a falta de significado, angústia e nihilismo. O homem pós-moderno, não apenas perdeu o seu caminho, ele perdeu também o seu endereço. Ele tem problemas, enfrenta problemas, sofre problemas e, na maioria das vezes, é um problema. A genuína profecia encontrada nas Escrituras, contudo, lança luz sobre as questões vitais de nosso tempo. A palavra profética assegura que nosso mundo, apesar das aparências contrárias, não é um iceberg sem rumo, fora de qualquer controle, mas um navio, com o porto de destino marcado. Em Suas palavras no capitulo 24 de Mateus, Jesus reafirma que "há um Deus no Céu, o qual revela mistérios, pois fez saber... o que há de ser nos últimos dias" (Dan. 2:28).

DOMINGO AS PERGUNTAS DOS DISCíPULOS E A RESPOSTA DE JESUS

Em Mateus 24:1, Jesus deixa o templo pela última vez. Em 23:38, Ele informara aos líderes judeus: "vossa casa vos ficará deserta." Agora, em estado de choque, os discípulos ouvem nos termos mais enfáticos, que a extraordinária estrutura do templo, uma das maravilhas do mundo antigo, seria totalmente destruída. Posteriormente, no Monte das Oliveiras (Mat. 24:3), buscando esclarecimento, os discípulos fazem a Jesus três perguntas: (1) Quando o templo será destruído? (2) Qual o sinal de Tua vinda? e (3) Quando será a "consumação do século"? Provavelmente, na mente deles, a destruição do templo de um lado, e o segundo advento e o fim do mundo, do outro, fossem um único evento.

Em lugar de corrigir a falsa compreensão deles, Jesus em Seu discurso escatológico une estes dois eventos e os seus sinais, de tal forma que se torna praticamente impossível separá-los. O resultado é um capitulo que tem sido visto como muito difícil de ser interpretado em seus detalhes, e que tem sugerido uma considerável quantidade de interpretações. Como observado por D. A. Carson, "poucos capítulos da Bíblia tem fomentado mais discordância entre estudantes das Escrituras do que Mateus 24". Devemos observar que as dificuldades interpretativas não apenas quer ver com discordância teológica sobre o segundo advento, mas com a própria estrutura do capítulo. Parece que deliberadamente Jesus tornou a resposta obscura. Teria Ele alguma razão estratégica para isto?

É fundamental observar que as perguntas dos discípulos tratam com o elemento tempo: quando? Esta é precisamente a questão que Jesus evita responder. Sua ênfase repousa na advertência de que Seus discípulos devem viver em estado de contínua expectativa, enquanto aguardam o Seu retorno. Esta intenção fica evidente nas parábolas do final do capítulo.

Assim, a falta de precisão da resposta é precisamente o ponto a ser enfatizado. Ela é parte do método de ensino de Cristo. Isto tem levado Seus discípulos de todas as eras, na medida em que se esforçam para entenderem as palavras de Cristo, descobrirem e assimilarem o significado e desdobramentos de Suas palavras. O que é certo é o evento. A data de sua realização não é objeto da revelação.

PARA CONSIDERAÇÃO: 1. Daniel 2, profetizara que toda a estátua, símbolo dos impérios humanos, razão de orgulho, conflitos, cobiça e toda sorte de ambição, estava sobre a fragilidade de "pés de barro". Não estão também os nossos pequenos "impérios" fundamentados sobre "barro" destinados a completa subversão? 2. A afirmação de Jesus de que do templo, não ficaria "pedra sobre pedra", não nos relembra Ele também, que aquilo que em geral admiramos e nos fascina, está fadado a completo extermínio? 3. Por que estariam os discípulos curiosos em relação ao "quando"? Os engenhosos esquemas de datas e cálculos para a retorno de Jesus, que freqüentemente ouvimos, não partilham também o mesmo espírito? Expressões da ilusão humana de querer estar sempre em "controle" ou pior ainda, queremos saber a data, porque concluímos ser difícil "estar preparado"? Permanentemente queremos então estar preparado pelo mais curto espaço de tempo? Evidentemente se soubéssemos que Ele voltará apenas em dois anos, podemos deixar para começar a pensar em preparo quando faltar um mês ou, talvez, duas semanas. Quais seriam os perigos desta mentalidade? Não seria esta precisamente a diferença essencial entre "preparar-se" e "permanecer preparado"? Será que realmente precisamos saber o dia do retorno de Cristo, se Ele em certa medida já está conosco (João 14:23; Mat. 28:20)? 4. Veja a última nota da lição do domingo, 12 de maio. E. G. White observa que o futuro foi misericordiosamente velado aos discípulos. "Houvessem eles naquela ocasião compreendido perfeitamente os dois terríveis fatos os sofrimentos e morte do Redentor, e a destruição de sua cidade e templo teriam sido dominados pelo terror" (O Grande Conflito, pág. 25).

SEGUNDA: O SINAL DO FIM DOS TEMPOS

Pedidos de "sinais" foram repetidamente feitos a Jesus, especialmente pelos líderes religiosos dos judeus (Mat. 12:38, 16:1-4). Consistentemente Jesus recusou-Se oferecê-los, exceto pelo sinal de Jonas (Mat. 12:39; 16:4), um tipo de Sua ressurreição. Em Mateus 24, são os discípulos que pedem um sinal a Jesus. Eles querem saber o sinal para a destruição de Jerusalém, do Seu retorno e do fim do mundo. Jesus oferece uma longa lista de sinais, começando com o verso 5. Estes sinais podem ser categorizados da seguinte forma: 1) Sinais no mundo religioso (falsos cristos e falsos profetas, vv. 5, 11, 12 e 24); 2) Sinais no mundo político (guerras, rumores de guerras, v. 6); 3) Sinais no mundo natural e cósmico (terremotos, escurecimento do sol, queda das estrelas, etc. vv. 7 e 29); e 4) sinais no mundo social (fomes, pestes, v. 7).

Como devemos entender tais sinais? Jesus nos adverte que estes sinais não deveriam ser causa de alarme (v. 6). Eles pertencem ao curso da natureza. Mas adverte Ele, "ainda não é o fim". O que parece ser mais desconcertante: estes sinais não são exclusivos de um período específico da história. Os homens de todas as eras conviveram com falsos profetas, terremotos, fomes e guerras, etc. Assim, estes sinais são muito parecidos com o sinal do arco-íris dado a Noé, em concerto (Gên. 9:12-16). Cada vez que o vemos estendido no firmamento, relembramos a fidelidade de Deus. O gênio dos sinais oferecidos por Cristo, é precisamente a sua re-ocorrência em cada geração, chamando à constante necessidade de vigilância e preparo. Tais sinais são a permanente lembrança do Seu retorno. Cada terremoto, guerra, epidemia, cada estrela que cai, etc., é um sinal de que este mundo não é o nosso lar final, que Cristo virá outra vez, porque a Sua obra de restauração não está terminada.

Devemos observar também que estes sinais funcionam como as placas à margem das estradas, anunciando a distância entre o ponto onde estamos e o ponto onde queremos ir. Eles são indicadores não tanto por sua natureza, mas por sua intensidade de quão próximos estamos. Eles funcionam como as contrações de uma grávida, que mais se intensificam à medida em que mais aproxima o momento de nascer a criança (sempre tivemos terremotos, guerras, violência, crimes, pestes, mas não na intensidade, abrangência e conseqüências em que os verificamos agora).

Mateus 24:14, chama a nossa atenção para o verdadeiro sinal do Seu retorno: "Este evangelho do reino será pregado em todo mundo... então virá o fim." Este sinal não é resultado à impiedade humana, ou do estado caído do planeta terra, mas diretamente um ato de Deus. Quando estas palavras foram pronunciadas, poderia parecer um sonho impossível que mensagem tão impopular e com embaixadores tão desqualificados pudesse ter qualquer sucesso. Mas os desdobramentos da história, têm revelado a marcha vitoriosa do evangelho, sob o poder do Espírito. A tarefa não está cumprida ainda, mas Aquele que tem mil recursos e chaves das quais nada sabemos, concluirá em poder a obra que Ele iniciou.

PARA CONSIDERAÇÃO: 1. Qual teria sido o efeito sobre os cristãos dos primeiros séculos ou dos séculos subseqüentes, na idade média, por exemplo, se Jesus tivesse oferecido sinais completamente desconhecidos por eles, para se cumprirem apenas dezenas de séculos depois? 2. Ao dar sinais recorrentes e conhecidos em cada geração, não estava Jesus sendo absolutamente coerente com o seu método de ensino, tomando medidas para que Seus seguidores ao longo da história não se desanimassem ou esfriassem na fé? Assim, enquanto os sinais menos precisos foram uma forma de encorajar os crentes e conservá-los em atitude de vigilância e trabalho, o sinal real (a pregação do evangelho), não é apenas um "sinal de proximidade", mas a evidência final do Seu retorno. 3. Por que decidiu Deus contar com a nossa participação imperfeita na grande obra de proclamação do evangelho? Não é esta também uma forma de preservar-nos espiritualmente vivos e fervorosos? Não é apenas o objeto a quem se ministra que é abençoado, mas o próprio sujeito que ministra que é transformado. Ao testemunharmos aquilo que Deus está fazendo na vida daquele a quem servimos como embaixadores de Cristo, somos transformados. 4. Não seria a omissão da maior parte da Igreja na proclamação do evangelho, a explicação para a fraqueza e frieza espirituais que verificamos hoje?

TERÇA FEIRA A QUEDA DE JERUSALÉM

Mateus 24 oferece um outro sinal com considerável grau de precisão: a destruição de Jerusalém e do templo, a qual era uma prefiguração da destruição do mundo, e do segundo advento. Segundo Jesus, a destruição do templo seria tão completa que "não ficaria pedra sobre pedra..." (Mat. 24:2). Este era o magnífico templo, orgulho da nação judaica, cuja construção fora iniciada por Herodes, o Grande, no ano 19 AC. A edificação não ficou completa senão entre 62 e 64 DC, poucos anos antes de ser destruída pelas forças romanas. Josefo, o historiador judeu que viveu durante a destruição de Jerusalém descreve os 6 últimos meses do cerco. Segundo ele, mais de um milhão de Judeus morreram, e aproximadamente cem mil foram tomados cativos (Josefo,Wars, 6.3). O general romano, Tito, eventualmente ordenou que toda a cidade, incluindo o complexo do templo fosse demolido ao chão, cumprindo literalmente assim, as palavras de Cristo.

Os cristãos, contudo, não sofreram o mesmo destino dos Judeus, que haviam rejeitado Jesus como o Messias. Os cristãos tinham a advertência de Cristo (Mat. 24:15-20), em termos específicos: "Quando virdes Jerusalém cercada de exércitos, sabei, então, que é chegada a... desolação. Então, os que estiverem na Judéia, que fujam para os montes; e os que estiverem no meio da cidade, que saiam...." (Luc. 21:20-22). Os seguidores de Cristo, puderam fazer a leitura dos sinais. Em agosto de 66 D. Céstio, general romano, atacou Jerusalém mas por razões desconhecidas, abandonou o cerco, quando tudo já parecia estar em suas mãos. Em 67/68, Vespasiano subjugou a Galiléia e a Judéia, mas retardou o cerco de Jerusalém por causa da morte de Nero. Apenas na primavera do ano 70 Jerusalém foi cercada e destruída por Tito, filho de Vespasiano. Segundo o historiador Eusébio, no intervalo entre 66 e 70, os cristãos deixaram a cidade antes da guerra começar: "Aqueles que creram em Cristo, saíram de Jerusalém" (Ecclesiastical History, 3,5.3). Seguindo a advertência de Jesus em Mateus 24, os cristãos evitaram morrer com a cidade condenada. Veja o extraordinário comentário descritivo em O Grande Conflito, (págs. 13-24).

PARA CONSIDERAÇÃO: Tanto a destruição de Jerusalém, como a salvação dos cristãos da catástrofe, foram sinais de grande significado concernente ao segundo advento de Jesus e do fim do mundo. No contexto de S. Mateus 24, eles funcionam como garantia da destruição final do mundo em pecado e da final salvação daqueles que crêem em Cristo. Depois de dramático comentário, rico em detalhes sobre os juízos que se abateram sobre a capital dos judeus, E. G. White observa: "A profecia do Salvador relativa aos juízos que deveriam cair sobre Jerusalém há de ter outro cumprimento, do qual aquela terrível desolação não foi senão tênue sombra. Na sorte da cidade escolhida podemos contemplar a condenação de um mundo que rejeitou a misericórdia de Deus. ... Mas naquele dia, bem como na ocasião da destruição de Jerusalém, livrar-se-á o povo de Deus" (O Grande Conflito, págs. 23 e 24).

QUARTA FEIRA SINAIS DA VINDA DE JESUS I

De Sua descrição da tribulação enfrentada pelo antigo povo de Deus no cerco e queda de Jerusalém, com toda a selvageria, massacre, pestilência e fome (ao ponto de mães comerem os seus filhos (ver O Grande Conflito, pág. 21), Jesus, em Mateus 24:21 e 22, faz uma transição para retratar com outra cena de tribulação. Está profetizada por Daniel 7:25, em termos de sua natureza e duração.

Os adventistas têm entendido que esta "grande aflição", sem precedente, foi movida por Roma papal, por um período de 1260 anos. Este período é definido nos livros proféticos de diferentes formas: "um tempo, tempos e metade de um tempo" (360+720+180= 1.260 dias/anos, Dan. 7:25 e Apoc. 12:14); 1260 dias (Apoc. 12:6); 42 meses ( Apoc. 13:5). Este período se estende de 538-1798 AD, o período da supremacia papal. Apocalipse 12:6 e 13:1-6, estão em paralelo com Dan. 7:25, e Mat. 24:21 e 22. De acordo com o livro do Apocalipse, este poder perseguidor/besta, surgiu do "mar" (muitas águas = povos, Apoc. 17:15), emergindo da área populosa do mundo (Europa), como a profecia indicara (Apoc. 13:1).

"Se aqueles dias não fossem abreviados..." (Mat. 24:22), disse Jesus. Como isto aconteceu? Apocalipse 12:16, afirma que a "terra ajudou a mulher" "terra" oposto de "águas", representa na simbologia profética, área comparativamente desabitada. Com a descoberta do Novo Mundo, os perseguidos cristãos da Europa, buscaram escape e refúgio, no continente americano, que eventualmente seria chamado de Estados Unidos. A partir de 1620, com a viagem do Mayflower trazendo os "pais peregrinos", hordas de cristãos buscaram escapar para a terra da liberdade religiosa. Em 1776, a independência americana foi proclamada, e pela primeira vez em séculos o mundo conhecia, agora, um país livre da perseguição de uma Igreja estatal. Liberdade religiosa foi um dos princípios básicos a serem defendidos pela jovem nação americana. Isto, 22 anos antes do término dos 1260 de perseguição, em 1798.

PARA CONSIDERAÇÃO: Apocalipse 12 e 13, dão testemunho de uma trindade contrafeita: o dragão, a besta que surgiu do mar, e a besta que surgiu da terra. A besta que surge do mar, é símbolo da Igreja de Roma, uma contrafação, da segunda pessoa da trindade verdadeira, em sua pretensão de perdoar pecados e interceder pelos homens. Seu "ministério" (de perseguição), ao reverso, que contrafaz o ministério de Cristo, dura também "três anos e meio", (período profético): um tempo, tempos, e metade de um tempo.

A perseguição, o espírito de extermínio movido contra os que discordaram, foi o instrumento do papado. Com todo o avançado das idéias de liberdade e direitos humanos, existe hoje a possibilidade de uma nova perseguição? Seria espírito inquisidor "monopólio", da Igreja Romana? Devemos lembrar que Lutero favoreceu a perseguição e martírio dos Anabatistas, e Calvino ordenou a prisão de Michael Servetus, que posteriormente com a aprovação do reformador, foi queimado, por causa de suas idéias em discordância com a ortodoxia cristã. O surpreendente na vida, não é descobrir que os maus sejam maus, mas que os "bons" podem ser maus. Não seria toda tentativa de coagir, impor sobre os outros as nossas idéias, uma expressão do mesmo espírito inquisidor? Quais são em geral, as manifestações comuns deste espírito, entre cristãos? Que medidas podemos tomar contra tal espírito em nós, componente natural do homem caído?

QUINTA FEIRA SINAIS DA SEGUNDA VINDA DE JESUS II

Jesus, em Seu sermão no Monte das Oliveiras situou alguns sinais astronômicos "logo depois da aflição daqueles dias". Em seguida Ele refere-Se ao escurecimento do Sol e da Lua, e à queda das estrelas (Mat. 24:29). A questão contextual é clara: a qual "aflição" e a quais "dias" Ele Se referia? No discurso escatológico do Monte das Oliveiras, Jesus faz referência a duas tribulações. A palavra grega é a mesma nos dois casos: thilipis. Tais tribulações têm sido entendidas como sendo uma preliminar, promovida pelo Império Romano, e outra, a grande tribulação, promovida por Roma papal, que tomou lugar na idade média.

O livro do Apocalipse também faz referência a sinais cósmicos, particularmente os que aparecem em conexão com o sexto selo (Apoc. 6:12 e 13). Como a lição indica, entre 1700 e 1800 vários eventos proféticos ocorreram: um grande terremoto, em 1755; o dia escuro, em 1780; o juízo sobre a besta, em 1798; a queda das estrelas, em 1833, e o início do juízo pré-advento, em 1844. A questão freqüentemente levantada é esta: por que o terremoto de Lisboa, em 1755, e não outros terremotos maiores, em período posterior? Por que a chuva de estrelas de 1833, e não outra quedas de meteoros, de porte até mais expressivo. Três fatores básicos devem ser considerados para esta escolha: 1) geografia (a região do mundo, sobre a qual a ação do livro do Apocalipse está focalizada); seqüência (a série de eventos preditos no sexto selo) e sincronismo, (lugar em que estes sinais ocorrem no esquema profético da história; Veja O Grande Conflito, pág. 193; SADBC, comentários sobre Apoc. 6:12 e 13; W. Shea, "Cosmic Signs Through History," Ministry, fevereiro/1999). Assim, geografia, seqüência e sincronismo tornam peculiar essa cadeia de acontecimentos, insuperável por quaisquer outros terremotos, ou chuva de meteoros, ocorridos em outros lugares e em outros tempos.

Curiosamente, o único "sinal" que é realmente chamado um "sinal", em Mateus 24, aparece nos versos 30 e 31 "o sinal do Filho do homem", que aparece no céu. Este "sinal" tem sido interpretado de diferentes formas. Devemos notar contudo, que este não é um sinal de proximidade do retorno de Cristo, simplesmente, porque ele toma lugar quando Jesus estiver vindo nas nuvens, "com poder e grande glória", acompanhado por "Seus anjos", e com "clangor de trombeta." Assim, em Mateus 24, parece claro que, enquanto os sinais menos precisos têm o propósito de encorajar os crentes a esperarem em vigilância ativa, os sinais reais, não são sinais de proximidade, mas sinais da consumação de Sua vinda.

PARA CONSIDERAÇÃO: A lição não trata com a conclusão do capítulo 24, contudo podemos extrair consideráveis lições desta seção, aplicáveis ao estudo desta semana. Do verso 36 ao 51, a volta do Senhor é apresentada em relação a duas características básicas: primeiro o seu caráter inesperado ("vigiai porque não sabeis a hora", v. 42); e, segundo, o seu caráter repentino (vigiai "porque o Filho do homem há de vir à hora em que não penseis", v. 44). Jesus compara os últimos dias, com os dias de Noé; "como foi nos dias de Noé..." (v. 37) Os antediluvianos foram notáveis pelos seus pecados, curiosamente, entretanto, é que a lista de pecados que Jesus menciona, é composta de práticas da rotina diária, não pecaminosas em si mesmas: "comiam, bebiam, casavam e davam-se em casamento..." (v. 38). Mas este é precisamente o ponto da advertência de Cristo: Nos dias de Noé os homens estavam tão absorvidos nas atividades ordinárias da vida, consumidos pela marcha rotineira das coisas que não percebiam o que estava acontecendo ao redor deles. Todos enfrentamos a mesma tentação: permitir que a rotina da vida, as questões comuns e diárias ("comer, beber, casar e dar-se em casamento" e as coisas que isto representa), absorvam de tal forma a nossa atenção, que se tornem rivais ou em competição com o espírito de vigilância e preparo.

Em conclusão, os cristãos devem se lembrar que mais importante que "preparar-se" para a volta de Jesus, é "manter-se preparado" para ela... Preparar-se, é geralmente entendido como uma questão de comportamento. Manter-se preparado, é uma questão de relacionamento. Uma questão diária de proximidade com Jesus. O desafio cristão não é apenas "preparar-se", mas manter-se preparado, até que Ele venha, cedo ou tarde!

Informativo das Missões

Sábado, 18 de maio de 2002

Salva das cinzas


Hisako Sakomoto
Dona de casa e ativa em sua igreja em Hiroshima, Japão.

Uma luz muito brilhante explodiu no horizonte, e um vento fortíssimo jogou a menina por cima de um alto muro.

O brilhante sol de agosto batia enquanto Hisako, de 17 anos de idade, se apressava em direção ao prédio do governo em Hiroshima, no Japão, onde fora designada para trabalhar. Ela abriu a sombrinha para proteger os olhos do sol.

Explosão silenciosa. Todos, até mesmo as crianças, tinham recebido a tarefa de ajudar a derrubar edifícios e criar faixas contra o fogo para proteger a cidade da destruição, se fosse novamente atacada. Quando Hisako virou uma esquina, as sirenes de bombardeios começaram a tocar. As sirenes tocavam quase todo dia sobre Hiroshima mas, sob o lamento estridente, Hisako podia ouvir o ruído dos motores de um avião. Ela olhou para cima. De repente, uma luz brilhante explodiu no céu sobre a cidade. Hisako não ouviu nenhum som, apenas viu a explosão de luz.

De repente, Hisako sentiu um forte vento quente. A força a jogou por cima de um muro de dois metros de altura. Hisako não tinha idéia de quanto tempo ficou lá antes de perceber um pouco de luz. Ela rastejou em direção à luz, por baixo da parede de madeira que tinha sido jogada por cima dela. Quando seus olhos se ajustaram, ela não podia crer na devastação que estava vendo. Onde minutos antes os altos edifícios ocupavam as ruas, agora não havia nada mais do que detritos em fogo.

Hisako conseguiu encontrar o caminho para seu bairro, e finalmente estava na frente dos restos da casa da sua família. Ela encontrou sua mãe em pé, ferida, atordoada, na frente da casa.

Atrás da casa dos seus pais havia um parque cheio de cerejeiras japonesas. Na primavera, elas floresciam como nuvens cor-de-rosa. Hisako e seus pais correram para o abrigo das árvores a fim de escapar do fogo e do calor. As pessoas estavam saindo dos edifícios em chamas, até mesmo do hospital, para escapar do calor e das chamas. Muitas pessoas estavam gravemente feridas. A pele estava queimada e desgrudando do corpo.

Exausta. Hisako e seus pais deixaram-se cair sob uma cerejeira, incapazes de ir mais longe. Hisako deve ter cochilado, pois de repente foi acordada por uma umidade em sua pele. Ela abriu os olhos e viu a chuva caindo, uma chuva preta, oleosa, misturada com cinzas. Ela mal podia respirar. "Será que vou morrer?" Ela perguntou-se.

Uma voz a acordou. Os médicos estavam tentando passar pela multidão, cuidando dos feridos. Quando um médico examinou Hisako, não ofereceu tratamento, mas simplesmente anotou sua situação e continuou. Mesmo em seu torpor, Hisako sabia que eles achavam que ela ia morrer, e tinham que economizar o escasso material para aqueles que tinham chance de sobreviver.

Mas o pai de Hisako não estava disposto a desistir. Ele pediu que alguém ajudasse sua filha, e afinal foi orientado a levá-la para o hospital do governo. Os médicos de lá não tinham remédios, mas lavaram as feridas e aplicaram um simples antissético. De volta para casa, o pai aplicou um remédio caseiro de ervas sobre as piores queimaduras. O remédio pareceu funcionar, mas não havia suficiente para tratar todo o corpo.

Alguns dias mais tarde, mais postos médicos foram abertos. Os médicos trataram as queimaduras removendo a fina camada de pele das áreas queimadas. Era incrivelmente doloroso, mas o tratamento poderia salvar sua vida.

Todo dia, Hisako via os corpos empilhados para serem enterrados ou queimados. "As pessoas estão morrendo em todos os lugares", ela pensava. "Por que ainda estou viva?"

Perto de 250 mil pessoas morreram como resultado da bomba que atingiu Hiroshima em 7 de agosto de 1945. Hisako não podia conversar sobre tudo o que passou naquele dia e nas semanas seguintes. Ela não agüentava assistir às cerimônias em homenagem aos mortos, ver as velas colocadas a flutuar nos rios que atravessavam a cidade. Ela não podia escapar da pergunta: "Por que eles morreram e eu sobrevivi ao inferno que todos nós atravessamos?"

A família de Hisako mudou-se para a zona rural. Hisako apreciava a paz e a beleza do interior, e lá, finalmente recuperou a saúde. Ela conheceu um rapaz, e eles se casaram. A alegria encheu o coração quando ela deu à luz um bebê saudável.

Convite que mudou a vida. Um dia, uma antiga colega foi visitar a família. Hisako não via a menina desde o bombardeio, e mal reconheceu a antiga colega.

O que aconteceu com você? Hisako perguntou. Você esta tão diferente!

Eu me tornei cristã a amiga disse. Jesus mudou minha vida.

A amiga convidou Hisako para assistir a algumas reuniões religiosas com ela, e Hisako foi. Não demorou para Hisako decidir tornar-se cristã.

Em respeito aos pais, ela pediu permissão para se tornar cristã. A família, apesar de não ser profundamente religiosa, considerava-se budista. Mas o pai dela não criou problemas para a decisão.

O budismo fala de misericórdia ele disse. Mas os cristãos mostram amor.

O marido de Hisako não gostou da idéia de ela se tornar cristã, mas depois ele abrandou, e até lhe permitiu levar consigo as crianças para a igreja.

Ainda estou orando para que meu marido entregue a vida a Cristo Hisako disse suavemente.

Ela gosta de convidar os amigos para sua casa a fim de estudar a Bíblia, e lá ela fala de sua fé.

Das cinzas de uma cidade e de milhares de vidas destruídas, Deus me salvou ela disse. Então Ele me chamou para segui-Lo e me usou para guiar outros a Cristo. Ele me preservou todos estes anos. Como posso louvá-Lo por Seu maravilhoso amor?


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Manaus Belém Porto Velho Fortaleza Recife Salvador Rio de Janeiro
17h51 18h08 17h59 17h25 17h04 17h12 17h15

Cuiabá Campo Grande São Paulo Belo Horizonte Curitiba Brasília Porto Alegre
17h18 17h05 17h28 17h23 17h35 17h45 17h35

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CASA ABERTA 2002: A Página do Colportor