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Comentários da Lição da Escola Sabatina

Lição 8
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Apoc. 12 - O Filho, a Igreja e o dragão

Lição 8: 18 a 24 de maio de 2002.

INTRODUÇÃO
Tem sido observado por alguns estudiosos do Apocalipse que o capítulo 12 é o centro textual deste admirável livro. Os primeiros onze capítulos somam 194 versos; os últimos dez, 193. É também seu centro temático e, por isso mesmo, fundamental no significado de sua mensagem. A primeira parte trata de um adversário que conduzi o mundo em sua rebelião contra Deus; sua presença é implícita, pois ele opera por trás dos bastidores. Na segunda, sua operação é explícita, primeiramente através de instrumentos que lhe devotam lealdade e efetivam seus planos diabólicos (Apoc. 13 e 17); depois, de forma direta e sem disfarce (20). O capítulo 12 identifica esse adversário e denuncia sua obra satânica: lutar contra Deus.
O grande conflito, o tema do Apocalipse em geral e do capítulo 12 em particular, é realçado, neste capítulo e nos seguintes, em seus lances finais. Eles culminam com o banimento definitivo do mal (20) e com o surgimento de um planeta totalmente isento de pecado (21 e 22). A guerra milenar de Satanás contra Deus deve ser vista no capítulo 12 em seu combate a Jesus e à Igreja. As personalidades atuantes são: a mulher, seu Filho, seus últimos descendentes (o remanescente), e o dragão. O material é exposto num esquema de tópico com desdobramento. Isto significa que um assunto é referido, mesmo com alguns detalhes, e depois desdobrado.
Este esquema pode ser resumido assim:
Tópico Desdobramento
Dragão combate o Filho da mulher, 12:4b, 5 12:7-12
Dragão combate a mulher, 12:6 12:13-16; 13:1, 2, 5-10
Dragão combate os descendentes finais da mulher, 12:17 13:3, 4, 11-18
Que o desdobramento envolva o capítulo 13 não deve causar surpresa, pois os dois capítulos compõem uma só unidade. Ademais, o esquema de tópico com desdobramento pode ser observado também nesse capítulo. Por exemplo, o subtópico da cura da ferida mortal aplicada à besta que sobe do mar (v. 3) é desdobrado nos versos 11-18, com a atuação da besta que sobe da terra.
Finalmente, lembramos que o centro do centro de Apocalipse, isto é, o centro de seu capítulo central, é composto pelos versos 7-12. Estes descrevem a "peleja" de Miguel e Seus anjos contra o dragão e seus anjos. Como foi observado acima, esses versos desdobram o tópico do combate do dragão contra o Filho da mulher, e a vitória do Filho. O mais glorioso de tudo é que a vitória de Miguel, Aquele que sempre se levanta em favor de Deus e de Seu povo (Dan. 12:1), não é apenas dEle, mas de todos quantos se tornam Seus seguidores. Depois de anunciar a derrota do inimigo, uma grande voz procedente do Céu proclama vencedores os "nossos irmãos", e isso "por causa do sangue do Cordeiro, e por causa da palavra do testemunho que deram. (v. 11). Esse precioso fato é confirmado na figura da "coroa" que a mulher traz na cabeça (v. 1). A palavra grega traduzida por "coroa" aqui é stéphanos, o símbolo da vitória. Em outras palavras, o triunfo da cruz é o nosso triunfo.
Domingo, 19 de maio A mulher e o Filho
A visão abre com "um grande sinal no céu". Intérpretes afirmam que a referência é ao céu atmosférico, e não à habitação de Deus. O original grego registra ouranós, termo que se aplica às três conhecidas categorias celestiais, as duas mencionadas mais a estelar. Alguns elementos desse céu, todavia, são mencionados pelo vidente em associação com a mulher. Esta se acha vestida do sol, tem a lua sob os pés, "e uma coroa de doze estrelas na cabeça". Talvez o mais sensato seria lembrar que "céu", nos escritos joaninos, tem um significado mais teológico que geográfico. Aponta, antes de tudo, para realidades do mundo espiritual e divino (ver o comentário de terça-feira), e tais elementos do céu estelar sugerem dados que se ligam a essas realidades. A lição lembra que a mulher aparece "vestida com o resplendor do Céu; suas vestes refletem a luz do Sol da justiça"" Cristo (Mal. 4:2); e acrescentamos que a lua, que reflete a luz solar, é um símbolo apropriado das Escrituras, que testificam de Jesus (João 5:39); as doze estrelas evocam tanto os filhos de Jacó, o embrião da Igreja do Velho Testamento, como os apóstolos, o embrião da Igreja do Novo Testamento.
O fato da mulher se achar com ânsias de dar à luz indica o povo de Deus na antiga dispensação, ansiosamente esperando "o reino de Deus" (Luc. 23:51; ver 2:25). O verso 5 fala do nascimento do "Filho varão" (o ponto de transição entre as duas dispensações), e o 17, da descendência final da mulher. Isso nos autoriza a reconhecer na mulher de Apocalipse 12 uma apropriada figura do povo de Deus em todas as épocas e lugares, desde a entrada do pecado neste mundo (ocasião em que foi dada a primeira profecia messiânica) até o fim.
Com efeito, o quadro de Gênesis 3:15 é ampliado e cumprido em Apocalipse 12: a inimizade entre o dragão, em realidade "a antiga serpente" (v. 9), e a mulher deve ser vista no fato de que a mulher se vê perseguida por pelo dragão e foge para o deserto (v. 6). A mesma inimizade entre a descendência da serpente e a descendência, ou descendente, da mulher é para ser notada na tentativa do dragão de devorar-lhe o Filho quando nascesse, bem como em sua ira contra "os restantes da sua descendência" (vs. 4 e 17). O calcanhar ferido do descendente da mulher deve equivaler ao "sangue do Cordeiro", referido como fator de triunfo sobre o dragão (v. 11), pois é na cruz que ocorre a sua derrota (v. 9), tanto quanto o Prometido teria seu calcanhar ferido no ato de esmagar a cabeça da serpente.
É desnecessário dizer que o Filho da mulher é Jesus Cristo. Mas não devemos supor que a "mulher" de Apocalipse 12 é a virgem Maria; representa o povo de Deus de cuja linhagem veio o prometido. Também não devemos interpretar o "quando nascesse" do verso 4 como simples referência ao nascimento de Jesus em Belém; o evento total da encarnação está aqui envolvido. A tentativa do dragão "de lhe devorar o filho quando nascesse" aponta não apenas para aquele conhecido plano infanticida de Herodes, colocado em execução algum tempo após o nascimento de Jesus (Mat. 22:16), mas para as várias ocasiões, no decorrer de toda a Sua vida, em que o diabo quis destrui-Lo, tentando-O a pecar ou ameaçando-Lhe a vida.
Segunda-feira, 20 de maio O Filho e o dragão
As características do dragão, conforme os versos 3 e 4, podem ser alistadas da seguinte forma:
(1) ele é grande. Não devemos subestimar sua força; embora caído, ele é um anjo que aplica seu poder e sabedoria para o mal. Ele é, de fato, um poderoso inimigo. Mas, graças a Deus, temos um Todo-poderoso Amigo;
(2) ele é vermelho. Essa é a cor do pecado, da apostasia, da perseguição e da morte;
(3) possui sete cabeças. Sete é o número da perfeição, da plenitude, e cabeças representam reinos. Os reinos da Terra são subservientes ao diabo, embora Deus tenha autonomia sobre eles. Satanás é chamado "o deus deste século" (II Cor. 4:4), e é-nos dito que "o mundo inteiro jaz no maligno" (I João 5:19). É razoável também visualizar aqui os sete reinos representados pelas sete cabeças dos quatro animais de Daniel 7. A presença de coroas nas cabeças apontam para governos na forma de realeza;
(4) possui também dez chifres. Chifres simbolizam poder na forma de dominação político/religiosa; o número dez pode também significar plenitude ou totalidade. O quarto animal de Daniel 7 tem dez chifres, dos quais três são arrancados. Mas a lição lembra que, segundo Apocalipse 17, "no fim dos tempos a totalidade das nações" se juntará ao inimigo. O número dez estará de volta;
(5) com a cauda derrubou um terço das estrelas do céu. A cauda é símbolo da obra do engano (Isa. 9:15). O diabo, no Céu, conseguiu enganar um bom número de anjos; e os homens, na Terra, são bem mais tolos que eles.
A lição pergunta também que razão tinha o dragão para querer destruir o Filho da mulher. Desde que a promessa de Gênesis 3:15 fora feita no Éden, o inimigo sabia que o plano da redenção humana era fundamentado na vinda de Jesus ao mundo. Ele também sabia que, uma vez executado esse plano, estaria aniquilado para sempre. Que isso realmente ocorreu, ficou plenamente demonstrado pela ressurreição de Jesus e Sua ascensão ao Céu. O extermínio do diabo é apenas uma questão de tempo (Apoc. 12:12). Sem dúvida, essa foi a razão mais impelente para o inimigo tentar impedir o cumprimento das profecias messiânicas.
Terça-feira, 21 de maio Guerra no Céu
Apocalipse 12:7-9 faz referências à peleja no Céu entre Miguel e Seus anjos e o dragão e seus anjos, com a conseqüente vitória dos primeiros. Naturalmente, lemos o texto e imediatamente pensamos na rebelião do querubim Lúcifer, levada a efeito no Céu ao princípio, o que resultou em sua expulsão e de quantos a ele se aliaram. É possível entrever esse evento aqui, mas não devemos nos esquecer de que, à luz do contexto literário imediato, essa aplicação deveria ser considerada secundária. É improvável que, assim que foi expulso do Céu,no princípio, Lúcifer tivesse proclamado as gloriosas colocações dos versos 10-12. "Tão logo" não é linguagem exagerada porque o sentido da preposição arti, empregada no verso 10, e traduzida "agora", é "agora mesmo", "precisamente neste momento", "exatamente agora", etc.
Diz o nosso comentário bíblico: "Por ocasião da expulsão mencionada nos versos 9, 10 e 13, o acusador de nossos irmãos já estivera ativamente empenhado em acusá-los de dia e de noite, diante do nosso Deus. Evidentemente, a queda de que tratam esses versículos ocorreu depois de um período durante o qual Satanás esteve acusando os irmãos, e parece, portanto, que esta não pode ser a expulsão original de Satanás antes da criação da Terra" (SDABC, vol. 7, pág. 810).
Assim, as aclamações celestiais fazem muito mais sentido se considerarmos o ministério terrestre de Jesus, culminando com o evento do Calvário, como o ambiente mais natural e propício desse confronto, o que seria a aplicação primária do texto; em outros termos, a "peleja" seria o esmero com que o diabo tentou, através do pecado ou da morte prematura, desviar Jesus do cumprimento exato do plano do Pai, que resultaria na redenção humana.
Embora a lição não tome esta aplicação como principal, ela reconhece que, à luz de 12:10, o ministério terrestre de Jesus abriu-Lhe espaço para um segundo embate com o inimigo. "Cristo e Satanás se enfrentaram como nunca antes, e, novamente, Cristo foi vitorioso." Portanto, podemos supor o mínimo de duas expulsões de Satanás: uma material, física (se podemos aplicar este termos a anjos), aquela no princípio, e outra moral, ocorrida no Calvário.
É verdade que o texto fala da peleja "no Céu", entre Miguel e Satanás, e da expulsão deste para a Terra. Não indicam estes termos a rebelião original de Lúcifer? Se a batalha é aqui neste mundo, durante o ministério de Cristo, porque é dito ser no Céu? E por que um dos contendores se chama Miguel (o nome do Cristo preexistente) e não Jesus? E por que fala aí da expulsão do dragão para a Terra?
Bem, não podemos ignorar que o evento do Calvário significou "uma expulsão" do príncipe deste mundo (ver João 12:31), e que, como já referido, "Céu", nos escritos joaninos é mais que um ponto geográfico.
Por exemplo, Jesus afirmou a Nicodemos que "ninguém subiu ao Céu, senão Aquele que de lá desceu" (João 3:13). Aquele que desceu do Céu é o próprio Jesus, mas o ato de subir é descrito como algo do passado ("subiu"), embora a ascensão, nessa ocasião, estivesse ainda no futuro. Portanto, "céu" não tem conotação meramente geográfica, mesmo porque Enoque e Elias haviam subido para lá, e o Mestre não poderia estar ignorando esse fato. Esta declaração deve ser entendida dentro do seu contexto. O assunto não é o evento histórico da ascensão, mas o papel revelacional de Deus que o Filho cumpre em Seu ministério terrestre. Cristo pode falar de "coisas celestiais" (v. 12) porque sabe o que estas coisas são e as tem visto (v. 11). Ele é o único que "subiu ao Céu", isto é, que penetrou o conhecimento destas coisas, e que "desceu do Céu", isto é, que entrou em comunhão conosco pela encarnação, para nos trazer o conhecimento dessas coisas.
Portanto, "Céu" aqui tem sentido espiritual e indica a única posição da qual o conhecimento completo e verdadeiro sobre Deus pode ser auferido, trazido e comunicado. E isso implica igualdade com Deus porque só um ser igual a Ele pode fazer tal revelação.
Neste caso, Isaías 14:12 está provavelmente presente nas entrelinhas de João 3:13. Naquele texto é referida a ambição do "filho da alva" (Lúcifer) de ascender ao Céu e ser "semelhante ao Altíssimo". Todavia ele não conseguiu isto; ficou apenas na pretensão e na ambição. Entendemos que essa pretensão foi alimentada pelo querubim antes de sua expulsão do Céu. Em outras palavras, ele estava num local que se chama Céu, todavia pretendendo subir ao Céu. A conclusão lógica é que, nesse texto, subir ao Céu significa participar da igualdade com Deus. Mas aquilo que para Lúcifer não passou de pretensão, para Cristo é participação natural. "Ninguém subiu ao Céu" senão Ele.
Situação idêntica é a que encontramos em Apocalipse 12:7. A batalha é no "Céu", isto é, no campo da pretensão de igualdade com Deus, precisamente o que Satanás mais ambiciona. Aquele que combate pela honra divina Se chama Miguel. Por quê? Porque é Jesus, na qualidade de Miguel, que Se levanta para vindicar a honra de Deus. O significado desse nome é uma interrogativa feita na forma de um repto: quem é igual a Deus?! Ser igual a Deus é precisamente a pretensão de Satanás. A "peleja" aqui referida deve desmascará-lo e expulsá-lo "do Céu" para a Terra, isto é, deve revelar o seu verdadeiro caráter de usurpador, e ser derrubado de sua pretensão. "Visto que se eleva o teu coração, e dizes: Eu sou Deus..., e não passas de homem e não és Deus, ainda que estimas o teu coração como se fora o coração de Deus... te lançarei, profanado, fora do monte de Deus e te farei perecer, ó querubim da guarda..." (Ezeq. 28:2 e 16).
Toda essa operação está intimamente envolvida com a obra do Calvário. O que o Céu proclama em viva voz, tão logo essa obra se consuma, evidencia esta verdade: "Agora [exatamente agora] veio a salvação [a vindicação], o poder, o reino do nosso Deus e a autoridade do Seu Cristo [não disse Jesus depois da ressurreição que "toda a autoridade" Lhe era dada no Céu e na Terra?], pois foi expulso o acusador de nosso irmãos..."
Quarta-feira, 22 de maio A mulher e o dragão
"Quando, pois, o dragão se viu atirado para a Terra", isto é, vendo-se vencido por Miguel, "perseguiu a mulher..." A vitória da cruz não eliminou o inimigo. Este continua ativo, porque ao diabo falta o bom senso; ele deveria, uma vez derrotado, abandonar a luta. Mas o pecado o condiciona a combater a Deus e ele não tem alternativa. Enquanto existir vida nesse ser, ele se dedicará a essa tarefa, porque esse é o espírito do pecado. Deus e o pecado se odeiam mutuamente, e cada um deseja a extinção do outro.
O dragão agora persegue a mulher movido pela ilusão de que, se a vencr, vencerá a Jesus. A mulher é símbolo da Igreja, e esta é a esposa do Cordeiro. O diabo sabe que marido e mulher formam uma só carne, e que isto é uma verdade especialmente em relação a Cristo e a Igreja (Efés. 5:31 e 32); assim, a derrota da Igreja será a derrota do seu Esposo. Mas o inimigo sabe também que a derrota da esposa não ocorrerá enquanto ela for uma com Ele (ver Mat. 16:18), pois a vitória do Esposo, já sacramentada no Calvário, pertence também a ela. Em Cristo, ela é vitoriosa.
O empenho do maligno, portanto, é no sentido de levá-la a se desligar de Cristo, e o mesmo estratagema que ele utilizou contra o Esposo, utiliza contra a Igreja. Também contra ela o inimigo se vale de duas poderosas armas: engano e perseguição. Se uma não surte o efeito esperado, ele usa a outra; ou, então, ele usa as duas simultaneamente. Olhe para a História e veja se não foi sempre assim. Apostasia é vitória para ele; fidelidade até o fim é sua derrota. Para tanto, Deus tem colocado à nossa disposição armas poderosas no combate ao mal. Elas estão relacionadas em Efésios 6:10-18 e é nosso dever usá-las continuamente. A garantia de êxito é absoluta. "Porque as armas da nossa milícia não são carnais e sim poderosas em Deus, para destruir fortalezas; anulando nós, sofismas e toda altivez que se levante contra o conhecimento de Deus, e levando cativo todo pensamento à obediência de Cristo" (II Cor. 10:4 e 5).
Um período especial de perseguição é referido em Apocalipse 12: os 1260 dias (v. 6), que equivalem a "um tempo, [dois] tempos, e metade de um tempo" do verso 14, e aos 42 meses de 13:5. Que este período é o mesmo da supremacia papal (1260 anos) é evidente da referência a ele em Daniel 7:25. Esse foi o tempo durante o qual os santos do Altíssimo seriam "magoados". Mas, como a lição esclarece, Apocalipse 12 realça o cuidado de Deus por Seu povo. A mulher voa para o deserto com duas asas da grande águia, quadro que lembra o cuidado protetor de Deus por Israel ao deixar o Egito (Êxo. 19:4). Deus agora protege o Seu novo Israel. "Embora a igreja esteja sofrendo ataques, Deus ainda a está protegendo. A igreja vai sofrer dano; Daniel deixa isso bem claro (ver Dan. 7:25), mas a igreja não vai ser destruída..."
"Então, a serpente arrojou da sua boca, atrás da mulher, água como um rio, a fim de fazer com que ela fosse arrebatada pelo rio" (Apoc 12:15). Na Idade Média, o poder religioso dominante contava com o apoio do poder secular para impor seus ditames. Para combater dissidentes, como no caso dos valdenses, verdadeiras cruzadas foram organizadas (ver O Grande Conflito, págs. 73-75).
"A terra, porém, socorreu a mulher...", abrindo-se para tragar o rio arremessado contra ela (v. 16). A Reforma protestante do século XVI pode estar sendo aqui prevista, mas principalmente o descobrimento da América deve ser considerado o cumprimento desse detalhe profético. Muitos pais peregrinos se deslocaram para o novo mundo para lançarem os fundamentos de uma nação livre, conhecida como Estados Unidos. O que surpreende, todavia, é que no capítulo 13 a terra novamente se abre, mas agora para deixar emergir um poder que atuará contra o povo de Deus, dando um apoio tão grande à primeira besta que a sua supremacia retornará de forma muito mais ampla. Por ironia, esse poder não é outro senão essa nação, originariamente fundada para garantir os postulados da liberdade. Em outras palavras, precisamente o que frustrou o inimigo em seu combate à mulher antes, será agora o instrumento que moverá o mundo a efetivar a ira satânica contra o remanescente final.
Quinta-feira, 23 de maio O dragão e o remanescente
O fiel remanescente constitui a comunidade final do povo de Deus. Suas características são as da Igreja verdadeira, e estão claramente expostas no Novo Testamento:
1. tem a Jesus como Salvador pessoal. Ele é a propiciação pelos pecados "do mundo inteiro", mas particularmente "pelos nossos", isto é, os da Igreja (I João 2:2; 4:10);
2. procura seguir a Jesus como modelo de vida (I Ped. 2:21). O Apocalipse afirma que os santos são aqueles que "têm a fé de Jesus" (Apoc. 14:12);
3. não participa da impiedade que há no mundo, bem como se abstém das paixões carnais (I João 2:15-17; I Ped. 2:11; II Tim. 2:19);
4. é unida pelo amor fraternal como uma grande família (João 13:34 e 35);
5. guarda os mandamentos da lei de Deus como se encontram na Bíblia (Apoc. 14:12);
6. possui os dons espirituais, particularmente o de profecia (Apoc. 12:17; 19:10);
7. aguarda a Jesus em Sua segunda vinda a este mundo (Heb. 9:28).
Os adventistas do sétimo dia crêem cumprir estas especificações, mas não se vêem exclusivamente como povo de Deus. Entendem que os membros de cada denominação cristã que se renderam a Ele e vivem segundo a luz divina que possuem são também membros do corpo de Cristo. Deus os conhece (II Tim. 2:19), e fará com que o pleno conhecimento da verdade chegue a eles antes do fim (Apoc. 18:4). Jesus previu isso quando disse: "Ainda tenho outras ovelhas, não deste aprisco; a Mim Me convém conduzi-las; elas ouvirão a Minha voz; então, haverá um rebanho e um pastor." (João 10:16).
As duas características do remanescente que se sobressaem no contexto do fim são mencionadas em Apocalipse 12:17: "guardam os mandamentos de Deus", inclusive o quarto do decálogo, "e sustentam o testemunho de Jesus", identificado como o espírito de profecia (19:10). A importância da primeira reside no fato de que a época final é caracterizada pela incredulidade, impiedade, e o "aumento do que é contra a lei" (Mat. 24:12, Tradução do Novo Mundo). Num tempo em que o materialismo, o secularismo e o evolucionismo estão na ordem do dia, o remanescente preza pelos reclamos divinos acima de qualquer interesse. Nesse contexto, a santificação do sábado adquire certa preeminência.
Mas, como a ira do dragão contra o remanescente se manifestará?
Bem, a ira satânica se volta especialmente contra os membros deste grupo porque honram as instituições divinas quando todos as encaram como obsoletas e incongruentes. O diabo os odeia porque, numa época em que se impõe como deus deste mundo e é adorado por todos , o remanescente ousa desafiar-lhe a autoridade e reclamar adoração exclusiva a Deus (Apoc. 14:12).
Essa ira se intensificará conforme o momento final se aproximar. Fechada a porta da graça, o inimigo atuará sem restrição, provocando sobre a Terra calamidade após calamidade, e trazendo indescritível angústia sobre os perdidos. O instinto satânico os moverá a tramarem contra os justos. Levados pela idéia de que os justos são culpados das misérias que assolam o planeta, vão pressioná-los a renunciar à fé e a se conformar com o erro. Como não cedem, a indignação popular se intensificará e um decreto de morte estabelecerá uma data para que sejam mundialmente executados. A inspiração afirma:
"A classe que provocou o descontentamento do Céu atribuirá todas as suas inquietações àqueles cuja obediência aos mandamentos de Deus é perpétua reprovação aos transgressores. Declarar-se-á que os homens estão ofendendo a Deus pela violação do descanso dominical; que este pecado acarretou calamidades que não cessarão antes que a observância do domingo seja estritamente imposta; e que os que apresentam os requisitos do quarto mandamento, destruindo assim a reverência pelo domingo, são perturbadores do povo, impedindo a sua restauração ao favor divino e à prosperidade temporal" (O Grande Conflito, pág. 590).
"Os que honram a lei de Deus têm sido acusados de acarretar juízos sobre o mundo, e serão considerados como a causa das terríveis convulsões da natureza, da contenda e carnificina entre os homens. ... O poder que acompanha a última advertência [isto é, a tríplice mensagem angélica] enraiveceu os ímpios; sua cólera acende-se contra todos os que receberam a mensagem, e Satanás incitará a maior intensidade ainda o espírito de ódio e perseguição. ... Insistir-se-á em que os poucos que permanecem em oposição a uma instituição da igreja e lei do Estado [isto é, o decreto dominical], não devem ser tolerados; que é melhor que eles sofram do que nações inteiras sejam lançadas em confusão e ilegalidade. ... Esse argumento parecerá concludente; e expedir-se-á, por fim, um decreto contra os que santificam o sábado do quarto mandamento, denunciando-os como merecedores do mais severo castigo, e dando ao povo liberdade para, depois de certo tempo, matá-los" (Ibidem, págs. 614 e 615).
Muitos ímpios tentam se antecipar ao próprio "decreto, e, antes do tempo especificado, se esforçam por tirar-lhes a vida." Mas falanges de anjos bons frustram os intentos malignos (Ibidem, pág. 631). "É um tempo de terrível agonia. Dia e noite clamam a Deus rogando livramento." Chega a um ponto em que tudo parece perdido, mas "se "lembram de Jesus morrendo sobre a cruz do Calvário" (Ibidem, pág. 630), e então lutam com Deus. Uma vez mais o triunfo da cruz, será o triunfo deles.

Sábado, 25 de maio de 2002

Um lar em Jesus


Takashi Higashiama

Trabalha hoje como contador em uma fábrica de borracha em Tóquio, Japão.

As barracas para desabrigados enfileiravam-se ao longo do rio no centro da cidade de Tóquio, lar de centenas de pessoas sem-teto. Por anos, os membros da Igreja Adventista de Adachi vinham trabalhando com essas pessoas, visitando os moradores, oferecendo algum alimento e revistas religiosas. Mas o ministério não tinha obtido resultados aparentes. Então, um dia, os membros da igreja ofereceram um pouco de arroz e uma cópia da Sinais dos Tempos a um homem que se identificou como Higashiama.

Higashiama olhou fixamente para a capa da revista, chocado. Depois que a mulher saiu de sua barraca, Higashiama olhou para a fotografia novamente. "Por que essas pessoas me dariam uma revista com esta foto?" ele se perguntou. "Eles sabem? Alguém está tentando me dizer alguma coisa?"

Sonho perdido. Da vez seguinte em que os membros da igreja foram visitar a cidade de barracas, Higashiama estava esperando por eles. Pouco a pouco, sua história foi se desdobrando.

"Eu fui professor por 33 anos. Mas uma grande decepção política me fez perder a vontade de viver. Então, decidi retirar meus fundos de aposentadoria de uma vez. Consegui a aposentadoria e retirei o fundo de pensão. Dei a metade do dinheiro a minha esposa, então parti. Não contei a ela o meu plano, que era viajar até que meu dinheiro acabasse, e então acabar com a vida.

"Não gostei da viagem como esperava, mas encontrei um lugar especial de que gostei. Decidi ir lá para cometer o suicídio.

"Um dia, eu me sentei em um banco no parque de Tóquio para comer. Meu dinheiro estava acabando, e eu sabia que estava na hora de cumprir meus planos de terminar com a vida. Um homem sentou ao meu lado. Ele parecia faminto, portanto, reparti meu pão com ele. Começamos a conversar.

" Onde você mora? o homem perguntou.

" Em nenhum lugar eu respondi. Só estou viajando pelo Japão.

" Onde você vai ficar hoje à noite? ele perguntou.

" Em um hotel, eu acho eu disse.

" Eu fico em uma barraca no rio, o homem disse. A barraca vizinha à minha está vazia. Se quiser, pode ficar lá o homem ofereceu.

"Eu não tinha nada mais para fazer, enquanto esperava para cometer o suicídio, então fiquei na cidade de barracas. Mas eu não queria que as pessoas que passeavam pelo parque me vissem lá, então passava meus dias na biblioteca da cidade. De noite, eu voltava para a cidade de barracas e seus ocupantes.

"Passou um mês, dois, mas eu ainda tinha um pouco de dinheiro sobrando, assim, adiei meu pacto de cometer suicídio. Minha vida com os sem-teto durou seis meses.

A revista Sinais. "Um dia, alguns cristãos levaram comida e revistas. Normalmente, eu não estava lá durante o dia, mas naquele dia a biblioteca estava fechada, e eu estava na barraca. Eles me deram uma cópia de uma revista chamada Sinais dos Tempos. Quando vi a foto de capa, eu não podia acreditar. Era um retrato do lugar onde eu planejava cometer suicídio.

"Olhei tanto para aquela capa que a mulher que me deu a revista ficou preocupada. Eu não podia dizer que era o lugar onde eu planejava terminar a vida, então simplesmente disse que era meu parque favorito.

"Comecei a ler o artigo de capa. Ele falava sobre o dom precioso da vida, que é sustentada por Deus. Falava sobre não tirar a própria vida, sobre não cometer suicídio. O que estava acontecendo? perguntei-me. Meu parque favorito está na capa, e o artigo fala sobre a santidade da vida? Eu não cria em Deus, mas como poderia explicar essa coincidência? E o que era esta conversa sobre Deus na revista?

Entregando uma vontade teimosa. "Na próxima vez que os cristãos visitaram o parque, eu tinha muitas perguntas para eles. Eles me convidaram para visitar a igreja deles. Os sorrisos amáveis de boas-vindas me puseram à vontade. Senti uma paz em minha vida, mas também senti um vazio enorme entre onde eu estava e onde Deus estava.

"Voltei para minha barraca e passei a tarde pensando nas voltas que minha vida deu por causa de minha teimosia. Ninguém me pediu para abandonar minha posição de ensino, mas eu permiti que um evento desapontador destruísse minha vida. Senti como se fosse um ninguém. Pensei até em cometer suicídio novamente. Mas, depois de lutar com minha vontade, meu orgulho e minha necessidade de Deus, finalmente decidi adiar o suicídio e continuar a freqüentar a igreja, pelo menos uma vez por mês.

"Agora sei que se não fosse um sem-teto, nunca poderia encontrar a Cristo. Se recebesse qualquer revista diferente, provavelmente nunca teria lido.

"Hoje eu preparo meus próprios guias de estudos bíblicos para usar quando estudo a Bíblia com amigos não cristãos. Também visito os sem-teto com quem vivi. Um deles está se preparando para o batismo."


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